“Sinto-me humilhada por não receber nem o salário mínimo”, diz uma trabalhadora de 30 anos da Amazon no Ceará. Ela é uma das cerca de 500 pessoas que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing do Estado (Sintratel-
CE), recebem menos de um salário mínimo da empresa. A Amazon nega e pondera que 500 é o total de empregados da companhia no Ceará. O caso é alvo de ações do sindicato na Justiça do Trabalho.
A trabalhadora, que preferiu não se identificar por medo de represálias, tem na carteira de trabalho remuneração bruta de R$ 1.417,00, abaixo do salário mínimo atual de R$ 1.621,00.
Contracheque de outro trabalhador, ao qual o Diário do Nordeste teve acesso, mostra salário bruto de R$ 1.298,00 por 180 horas mensais, também inferior ao mínimo.
A trabalhadora relata que o sentimento no ambiente de trabalho é de desvalorização. “Principalmente pelo fato de que me esforço bastante para entregar métricas semanais. Saber que uma empresa internacional entende que devemos ganhar menos (de um salário mínimo), sem justificativa dentro da lei trabalhista, me faz sentir como se eu, e todos os trabalhadores, não fôssemos nada”, lamenta.
Segundo o sindicato, os trabalhadores atuam 100% em home office e não estão concentrados apenas em Fortaleza e na Região Metropolitana, onde há um Centro de Distribuição da companhia. Conforme Borja, há profissionais contratados em municípios do interior, como Ipu.
Procurada, a Amazon diz atuar “em total conformidade com a legislação trabalhista brasileira e com todas as obrigações aplicáveis à sua operação no Ceará e em todo o país”.
Fonte: diariodonordeste

