Dois dias após ser derrotado por JHC na disputa pelo Governo de Alagoas, o senador Renan Filho (MDB) reassumiu nesta terça-feira (6) sua cadeira no Senado Federal. No primeiro discurso após a eleição, ele defendeu o fim da escala 6×1, cobrou que a proposta seja colocada em votação e provocou os parlamentares contrários à mudança: “Se for a voto, eles não terão coragem de votar”
Ao se dirigir ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, Renan pediu que a Casa avance na discussão sobre a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Para o senador, a mudança está historicamente atrasada no Brasil e representa uma nova etapa na ampliação dos direitos trabalhistas.
Renan comparou a resistência atual aos argumentos utilizados em outros momentos contra conquistas sociais. Segundo ele, justificativas econômicas semelhantes foram apresentadas nos debates sobre a abolição da escravatura, as férias remuneradas, o 13° salário e a redução da jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988.
“Estamos fazendo uma alteração agora que está atrasada com relação ao mundo”, declarou. Para o senador, a jornada prolongada atinge principalmente os trabalhadores de menor renda e não pode ser tratada apenas como uma questão de produtividade.
Renan citou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) segundo os quais cerca de 80% dos trabalhadores que cumprem mais de 40 horas semanais recebem até dois salários mínimos. O percentual chega a 90% entre aqueles com renda de até três salários mínimos.
“Nada é mais caro ao trabalhador do que gastar toda a sua semana trabalhando, ou gastar seis dias da semana trabalhando para descansar apenas um”, afirmou.
Fonte: @gazetaweb
