A mãe da criança vista com uma suposta arma durante uma comemoração política em Parnamirim, cidade da Grande Natal, foi ouvida pelo Conselho Tutelar do município nesta terça-feira (6). De acordo com informações da conselheira Amanda Melo, ouvida pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, a mãe relatou que também soube do caso através das redes sociais. O momento, segundo ela, foi registrado no sábado (3), na véspera do primeiro turno das eleições, e repercutiu em todo o Brasil.
Ela relatou a conselheira que a responsabilidade de zelar e cuidar da criança estava com o pai no momento do episódio, pois ambos estão divorciados há pelo menos oito anos e possuem um acordo não judicializado, no qual a criança fica com ela durante a semana e com o pai no fim de semana.
“Ela disse que não sabia que ele ia participar de um evento como esse, um tipo de arrastão, encerramento de campanha. Ela ficou sabendo pela rede social, e quando as pessoas enviaram o vídeo. Ela disse que recebeu a informação com muito choque e não imaginou que a criança estivesse em uma situação como aquela”, afirmou.
Ainda de acordo com Amanda Melo, a mãe relatou que recebeu a criança no dia seguinte e discutiu com o ex-companheiro. “Ela contou que partiu para cima do pai, brigou com ele. O menino ficou nervoso, dizendo que o pai não tinha culpa”, complementou.
Com relação a suposta arma nas mãos do menino, a conselheira afirmou que a mãe alegou que o objeto se tratava de um simulacro, uma arma de brinquedo.
“Ela (a mãe) atestou que a arma realmente é de brinquedo, aquelas armas de estopim. A Polícia Civil já lançou uma nota e possivelmente ela vai ter acesso a essa arma. Ela vai ter como provar qual era a arma”, disse a conselheira.
Abalo psicológico
A repercussão do vídeo abalou o menino diretamente. A conselheira disse que ele não está indo para a escolha, pois os pais das outras crianças que estudam com ele o reconheceram. Para a piora de seu estado emocional, contribuiu ainda comentários críticos realizados em posts relacionados ao que ocorreu nas redes.
“A situação psicológica dele é de tristeza. Ele se encontra bastante abatido e não quer ir para a escola. Ele teve acesso a comentários que foram deixados nos vídeos que estão circulando, e ele viu pessoas hostilizando os pais dele, falando coisas absurdas, causando nele um certo sofrimento”, explicou.
Após ser ouvida, a mãe da criança foi enviada ao Poder Judiciário para regularizar a guarda da criança. Sobre a possibilidade de risco causado pela convivência entre pai e filho, ela afirmou que seu ex-companheiro não representava perigo até aquele momento. Com isso, Amanda Melo disse o que entendimento do Conselho Tutelar é de que não houve necessidade de retirar a criança dos pais, considerando que a ela está com a mãe, a qual irá regularizar a guarda judicialmente.
O pai pode perder a guarda?
Sobre a possibilidade de perda da guarda da criança, por parte do pai, a conselheira reforçou que a decisão não cabe ao Conselho Tutelar, o qual pode atuar para acionar o Ministério Público caso seja identificado uma violação de direitos. Porém, ela acredita que há uma grande possibilidade de a mulher obter a guarda unilateral, mas mantendo ainda o direito do pai a visitas.
“Enquanto Conselho Tutelar, eu não posso determinar como vai ser essa visitação, como vai ser a guarda. A Justiça é quem vai decidir. Agora, existe aí a possibilidade de 99,9% dela ganhar a guarda, né, unilateral, e talvez o direito dele à visitação, ele não pode, ele não vai deixar de exercer o direito de pai, a paternidade, por causa de um fato como esse”, comentou.
Apesar da gravidade do acontecimento, Amanda Melo salientou que é necessário ter cautela e não realizar julgamentos precipitados. “É bem sabido que a população, de certa forma, cria um juiz de valor, um tribunal, e já sentenciaram. A gente não pode fazer isso. A gente não pode, em momento algum, sentenciar uma pessoa que sem ela nem ter sido ouvida, nem ter dado suas justificativas”, disse.
Para além da comemoração política Amanda Melo informou que há ainda outros vídeos em circulação, mostrando o mesmo menino dirigindo um veículo. Caso a veracidade disso seja comprovada, poderia causar uma determinação judicial mais dura.
Investigação
As imagens foram gravadas no bairro da Cohabinal, em Parnamirim, na Grande Natal. A Polícia Civil informou que vai apurar a situação, incluindo a coleta e análise das imagens disponíveis.
As diligências sobre o caso estão sob responsabilidade da 17ª Delegacia de Polícia de Parnamirim, que busca esclarecer as circunstâncias do ocorrido. Apesar de informar que vai apurar a situação, a Polícia Civil informou que, até o momento, não há registro de ocorrência relacionado ao fato.
Nos vídeos que passaram a circular na internet, a criança aparece em cima do teto de um carro segurando um objeto que se assemelha a uma arma de fogo enquanto adultos ao redor festejam e gravam a ação.
Ainda não há confirmação se o objeto segurado pela criança trata-se realmente de uma arma de fogo. A apuração da Polícia Civil deve esclarecer as circunstâncias do ocorrido.
fonte: @tribunadonorte

