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A atual secretária de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social de Alagoas e ex-prefeita de Maceió, Kátia Born, destaca a importância da participação das mulheres em todas as esferas da sociedade, principalmente na política.

Segundo ela, o engajamento feminino é fundamental para a valorização da voz e o comprometimento das mulheres; e precisa começar ainda na formação das novas gerações.

Para ela, a presença das mulheres na política não deve se limitar à ocupação de cargos, mas também estar ligada à autonomia financeira, educação e qualificação profissional.

Com décadas de atuação em favor dos direitos femininos, a ex-prefeita defende a formação de novas lideranças e a criação de políticas públicas voltadas à autonomia e à proteção das mulheres.

Kátia foi prefeita de Maceió por dois mandatos. Durante a gestão municipal, afirmou ter mantido a atuação voltada às mulheres, citando a criação de estruturas como o Centro da Mulher Alagoana, o Núcleo de Mulheres e uma Casa Abrigo para mulheres.

Trajetória política

A trajetória de Kátia na política começou anos antes de ocupar cargos públicos. Natural de Viçosa, Alagoas, ela cresceu em uma família marcada pela atuação social do avô, que teria sido perseguido durante o golpe de 1964. A família posteriormente se mudou para Maceió.

Antes da política, Kátia se formou em Odontologia pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), teve uma trajetória no voleibol e trabalhou no serviço público de saúde. Depois de aprovada em concurso para o Ministério da Saúde, passou a atender no Vergel do Lago, em Maceió.

“Meu avô era um homem muito culto. Era um homem que não tinha terminado o primário, mas era um homem que falava cinco línguas. E eu fui criada desde pequena aprendendo aquela política social”, lembra.

Na época, ainda durante o antigo INAMPS, Kátia afirmou que se deparou com dificuldades de acesso à saúde. Segundo ela, mesmo existindo limites para a quantidade de atendimentos, passou a atender um número maior de crianças por considerar que não era justo deixar mães e filhos sem assistência.

“Eu não atendia só 24, atendia 30, 40, 50, porque eu achava um absurdo a mãe dormir com aquela criança de noite, com dor de dente. Então, protegia a mãe e protegia a criança”, explica.

Foi justamente a partir dessa relação com as mulheres do Vergel que surgiu o incentivo para entrar na política. Em 1982, ela foi eleita vereadora de Maceió pelo antigo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Na época, havia apenas duas mulheres entre os 21 vereadores da Câmara Municipal. A experiência fez com que Kátia passasse a atuar na defesa das mulheres vítimas de violência e na criação de estruturas voltadas à proteção feminina.

Entre as mobilizações citadas por ela estão a criação do Conselho da Condição Feminina e a implantação da Delegacia da Mulher em Alagoas, em 1985, durante o governo de Divaldo Suruagy.

A atuação de Kátia também passou pelo movimento sindical. Ela presidiu o Sindicato dos Previdenciários e se tornou a primeira mulher a presidir a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Posteriormente, participou do processo de municipalização da saúde em Maceió durante a década de 1990.

Da política para dentro de casa

A discussão sobre a participação feminina também aparece na realidade de mulheres que não ocupam cargos políticos. Para a dona de casa Regina Costa, o trabalho realizado dentro do lar precisa ser reconhecido, principalmente porque não possui horário definido e envolve responsabilidades constantes.

“As tarefas da dona de casa é semelhante ao trabalho de uma mulher que sai para trabalhar fora, porque, de qualquer forma, uma mulher não vai ficar dentro de casa sem fazer nada. Tem toda uma tarefa a se fazer”.

Regina destaca os impactos que a falta de uma ocupação profissional fora de casa pode causar na autoestima de algumas mulheres. “O psicológico delas, às vezes, cai lá para baixo, porque não é toda mulher que chega a ter a oportunidade de ter um emprego fora”.

Para ela, a participação feminina na política é importante justamente porque as mulheres podem compreender experiências vividas por outras mulheres. “É muito importante que tenha mulheres inseridas na política. Porque só ela vai entender o que outras mulheres passam”, diz.

Segundo Regina, mulheres que chegam aos espaços de decisão podem transformar essas experiências em ações voltadas para outras mulheres. “Ela vai à luta em busca de melhorias para essas mulheres”, conclui

Do campo ao comércio

Outra realidade apresentada é a de Maria Josefa, que deixou Viçosa e se mudou para cidade de Rio Largo/AL, em 2010. Antes da mudança, ela trabalhava no campo, em terras de outras pessoas, onde enfrentava dificuldades financeiras e poucas oportunidades. “Era ruim, né! Eu não ganhava muito pouco. Era difícil as oportunidades”, contou.

Depois de chegar a Rio Largo, Maria Josefa mudou sua atividade profissional e passou a trabalhar com a venda de produtos como batata, macaxeira, inhame e feijão. Segundo ela, a mudança foi uma alternativa diante das dificuldades encontradas no trabalho rural. “Achei uma profissão melhor, né, de trabalhar vendendo produtos do campo”, afirma.

Maria Josefa deixou a lida no campo, mas continuou ligada aos produtos agrícolas por meio do comércio. Ao falar sobre a presença das mulheres na política, ela diz que é importante uma maior participação feminina nos espaços de decisão.

Para Maria Josefa, mulheres conseguem compreender melhor determinadas experiências justamente por compartilharem vivências semelhantes. “Porque são iguais, né? As mulheres se entendem mais”.

A discussão mostra que a participação feminina na política não envolve apenas o número de mulheres ocupando cargos públicos, mas também a capacidade de levar para esses espaços as diferentes realidades vividas pelas mulheres no cotidiano.

Panorama

Nas eleições gerais de 2026, as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro com 83.877.126 eleitoras aptas a votar. Enquanto os homens são o universo de 74.845.001 eleitores

Apesar de serem maioria entre os eleitores, as mulheres ainda são minoria entre os eleitos. EM 2022, apenas quatro mulheres foram eleitas para o Senado e 91 para a Câmara dos Deputados. Nas eleições municipais de 2024, 733 mulheres foram eleitas prefeitas e 12.380 eleitas vereadoras. Nesse ano, somente 733 dos 5.569 municípios brasileiros elegeram uma mulher para a prefeitura.

Atualmente, a bancada feminina representa apenas 18% do Congresso Nacional, abaixo da média mundial de 27%.

Esse ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou os percentuais de candidaturas femininas por partido, com 20.560 candidaturas analisadas, mostrando que a participação feminina nas candidaturas ainda é um ponto importante do processo eleitoral.

Por Redação com informações e imagens de Igor Costa.

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