Depois do zero açúcar, a indústria de refrigerantes abre outra frente nas prateleiras brasileiras. Coca-Cola e Ambev avançam com bebidas sem cafeína ou com adição de fibras, enquanto as versões sem açúcar cresceram 33% em volume em 2025 no país.
A Coca-Cola Zero Cafeína Zero Açúcar começa a chegar neste mês a todas as regiões do Brasil, incluindo o Nordeste, inicialmente em embalagens individuais de até 350 ml. A Ambev amplia a distribuição do Guaraná Antarctica Zero com Fibras, lançado primeiro em São Paulo e agora levado ao Sudeste, Sul e Centro-Oeste, com previsão de cobertura nacional até o fim de 2026.
>> Faça parte do canal do Movimento Econômico no WhatsApp
Os lançamentos levam aos refrigerantes atributos associados pela indústria ao mercado de bem-estar. A Coca-Cola retira a cafeína de uma bebida que já não tem açúcar, enquanto a Ambev acrescenta 4,4 gramas de fibras à versão zero do Guaraná Antarctica. No caso da Ambev, a própria companhia coloca o produto na categoria que chama de “refrigerantes funcionais”.
Coca-Cola estreia sem cafeína
O Brasil é o maior mercado mundial de Coca-Cola Zero, segundo a presidente da operação brasileira da companhia, Luciana Batista. A nova versão chega ao país com uma estratégia voltada também ao consumo noturno, período em que parte dos consumidores prefere evitar cafeína.
A bebida será distribuída em setembro em todas as regiões brasileiras. A campanha de lançamento está prevista para outubro, enquanto a estreia inclui ações no Rio Gastronomia, realizado no Rio de Janeiro.
A versão sem açúcar e sem cafeína já é comercializada em outros países. Na América Latina, Brasil, Chile e México recebem o produto em 2026, enquanto Argentina e Uruguai estão previstos para 2027.
Ambev coloca fibras no Guaraná
A Ambev escolheu outra formulação. O Guaraná Antarctica Zero com Fibras não tem açúcar e entrega 4,4 gramas de fibras por lata. O produto foi lançado no fim de 2025 e começou com distribuição restrita a São Paulo.
Agora, a companhia leva a bebida ao Sudeste, Sul e Centro-Oeste e prevê completar a cobertura nacional até o fim deste ano, o que colocará o produto também no mercado nordestino. A Ambev não informou quanto investiu no novo segmento.
O teste já produziu resultados comerciais. Segundo a Ambev, o Guaraná com fibras ficou entre as cinco latas de bebidas não alcoólicas mais vendidas pela companhia, enquanto o número de compradores na Bees, plataforma da Ambev para vendas a pontos comerciais, triplicou no último trimestre após o início da expansão.
O refrigerante integra a estratégia “beyond beer”, ou “além da cerveja”, divisão voltada ao desenvolvimento de produtos fora do mercado cervejeiro tradicional. A mesma diversificação já levou a Ambev a outros segmentos de bebidas com novos atributos.
Refrigerantes zero avançam
As duas fabricantes ampliam os portfólios enquanto as versões sem açúcar ganham espaço no mercado. Os refrigerantes zero açúcar registraram crescimento de 33% em volume em 2025, segundo a Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo.
O movimento alcança outras bebidas. No mesmo levantamento, os energéticos sem açúcar cresceram 56%, as cervejas de baixa caloria avançaram 40% e as cervejas sem álcool tiveram alta de 10%.
A ampliação da oferta não significa, porém, que os novos produtos possam ser classificados nutricionalmente como saudáveis apenas pelos atributos destacados nos rótulos. Especialistas ouvidos pela Folha sobre bebidas com fibras, proteínas e outros componentes ressaltaram que eventuais benefícios dependem da composição e das quantidades e que esses produtos não substituem as fontes nutricionais de uma alimentação equilibrada.
No Nordeste, a primeira novidade já começa a entrar no mercado com a distribuição nacional da Coca-Cola sem cafeína em setembro. O Guaraná com fibras deverá completar esse movimento até dezembro, quando a Ambev prevê estender sua distribuição às regiões ainda não atendidas.

