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Uma equipe internacional de cientistas, incluindo pesquisadores brasileiros, identificou uma nova espécie de gato-do-mato nas florestas de Yungas, na Bolívia. Batizado de Leopardus tilcayo, o felino é a primeira espécie de felino selvagem descrita formalmente pela ciência em mais de um século.

O animal que ajudou os pesquisadores a chegar à descoberta é um macho encontrado ainda filhote em 2016, na região de Nor Yungas, e levado a um refúgio de animais. Conhecido localmente como “tilcayo”, ele acabou sendo peça importante para identificar uma linhagem ainda não identificada pela ciência.

O trabalho foi publicado na revista Current Biology e contou com pesquisadores de Brasil, Bolívia, Peru, Bélgica, Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido. Entre eles está o brasileiro Eduardo Eizirik, professor da PUCRS.

Os gatos-tigre são as chamadas espécies crípticas, o que significa que não podem ser facilmente distinguidos apenas pela aparência, disse o biólogo evolucionista e coautor principal do estudo Jonas Lescroart, da Universidade de Antuérpia, na Bélgica.

Os gatos-tigre eram anteriormente considerados uma única espécie, mas estudos genéticos realizados há décadas sugeriram a existência de várias espécies.

Referindo-se à nova espécie, Lescroart disse: “Nossas informações, neste momento, limitam-se aos dois indivíduos vivos que examinamos e a um pequeno número de registros de câmeras de vigilância.”

Um dos felinos vivos é um macho de 10 anos que agora vive no Santuário de Vida Selvagem Senda Verde, após ter sido criado por uma família local em sua casa.

Um animal diferente

A observação do gato boliviano despertou interesse porque “suas características não correspondiam às descrições, a maioria delas baseada em gatos brasileiros”, disse Nogales-Ascarrunz. “Isso nos fez questionar: que tipo de gato-tigre temos, na verdade, na Bolívia?”

A equipe analisou o DNA coletado de 38 gatos em vários países da América do Sul, incluindo oito espécimes de museu. O estudo constatou que os gatos-tigre são, na verdade, cinco espécies geneticamente distintas.

“Nunca esperávamos que esse gato-tigre boliviano fosse uma espécie separada, e ninguém jamais havia proposto que ele fosse um animal diferente, uma subespécie ou algo do tipo”, disse Lescroart.

A análise genética sugeriu que a linhagem de Tilcayo se separou dos outros gatos-tigre há cerca de 1,4 milhão de anos.

“Quanto mais diferenças houver no DNA, maior será o tempo que estimamos que essas linhagens tenham estado fisicamente separadas”, disse Lescroart, acrescentando que tal intervalo é geralmente considerado uma divisão no nível de espécie entre os felinos.

A equipe de pesquisa também descreveu uma nova subespécie de gato-tigre nos Yungas, no Peru, batizando-a de Leopardus tigrinus antisuyo em homenagem a Antisuyu, a região do antigo Império Inca que incluía a área onde ela habita.

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que acompanha o status das espécies, atualmente trata os gatos-tigre como duas espécies “vulneráveis” com populações em declínio.

Os pesquisadores compartilharam suas descobertas com a IUCN, cuja próxima revisão avaliará as cinco linhagens separadamente. Isso poderia fornecer um panorama mais preciso do risco, disse Lescroart, e espécies como o Tilcayo poderiam, potencialmente, ser consideradas ameaçadas de extinção quando avaliadas individualmente.

A necessidade de uma avaliação mais clara é particularmente premente nos Yungas, um dos ecossistemas mais ameaçados da região.

As florestas de montanha enfrentam pressão crescente devido ao desmatamento, à expansão agrícola, aos incêndios causados pelo homem e à mineração, disse Nogales-Ascarrunz. Restaurar fragmentos florestais danificados por incêndios, proteger a floresta nativa remanescente e manter as conexões entre os habitats são prioridades urgentes, acrescentou.

“Mostrar ao público em geral que, mesmo em um grupo emblemático como o dos felinos… ainda há novas espécies a serem descobertas pode transmitir uma mensagem importante”, disse Eduardo Eizirik, biólogo evolucionista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, no Brasil, e autor sênior do estudo.

“Existem muitas espécies ainda não descobertas no mundo, e elas correm o risco de desaparecerantes mesmo de serem descobertas.”

Fonte: @exame

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