O reverendo Arival Dias Casimiro deixou o cargo de pastor titular da IPP (Igreja Presbiteriana de Pinheiros) após fechar um acordo na Justiça do Trabalho com uma ex-funcionária que o acusou de assédio e abuso espiritual. A igreja reconheceu que ele enviou mensagens consideradas “inoportunas, inadequadas e infelizes” à mulher.
A decisão ocorre após questionamentos dentro da comunidade presbiteriana sobre a permanência de Casimiro à frente da IPP, uma das igrejas mais influentes da IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil). O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça também atua como pastor na igreja.
Segundo a assessoria de imprensa contratada pela IPP, Casimiro pediu licença em comum acordo com o conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Até o momento, não foi informado por quanto tempo ele ficará afastado, se a saída é temporária ou definitiva e se continuará exercendo alguma função na instituição.
“Ciente dos fatos, o reverendo Arival, em respeito à família e à IPP, resolveu pedir licença em comum acordo com o conselho”, afirmou a assessoria.
Igreja presbiteriana de pinheiros reconheceu mensagens “inadequadas”
A ex-funcionária trabalhava na Junta Missionária de Pinheiros, braço da denominação, e entrou com uma ação na Justiça do Trabalho em maio de 2025. Posteriormente, ela concordou em encerrar o processo por meio de um acordo entre as partes.
Em comunicado aos membros, a Igreja Presbiteriana de Pinheiros reconheceu que Casimiro enviou à mulher mensagens classificadas como “inoportunas, inadequadas e infelizes”.
A IPP também afirmou que o episódio foi apurado internamente e que o pastor reconheceu “a inconveniência das mensagens”, pediu perdão e recebeu uma “medida disciplinar”. A igreja não informou qual foi a punição aplicada.
Segundo a instituição, o acordo foi homologado pela Justiça do Trabalho “sem sentença de mérito e sem reconhecimento de prática de assédio”. A manifestação provocou críticas entre integrantes da própria igreja, que questionaram a forma como o caso foi tratado.
Arival Dias Casimiro admitiu a inconveniência das mensagens e pediu perdão, segundo comunicado da igrejaFoto: Reprodução/ND Mais
O que diz a ex-funcionária sobre Arival Dias Casimiro
Na ação trabalhista, a ex-funcionária relatou uma série de comportamentos que considerava inadequados. Segundo o depoimento, Casimiro teria o hábito de ir até a mesa dela para abraçá-la, além de fazer elogios e piadas que ela considerava excessivos.
A mulher também afirmou que o pastor teria feito comentários sobre sua aparência e sugerido repetidamente que ela usasse maquiagem e roupas mais curtas para chamar mais atenção.
Em outra ocasião, conforme o depoimento reproduzido no processo, Casimiro teria afirmado diante de colegas que ainda se casaria com a funcionária.
Os relatos apresentados à Justiça também envolvem mensagens enviadas pelo WhatsApp entre 2022 e 2024. Segundo a ex-funcionária, algumas conversas começavam com assuntos profissionais e depois avançavam para questões pessoais que a deixavam desconfortável, principalmente devido à posição hierárquica e religiosa ocupada pelo pastor.
Mensagens de WhatsApp foram anexadas ao processo
Uma das conversas anexadas à ação começa com a funcionária tratando de lançamentos financeiros previstos. Durante o diálogo, Casimiro muda de assunto e afirma que havia coisas que não conseguia dizer por mensagem e que precisaria falar pessoalmente e em particular.
Questionado sobre o assunto, o pastor escreveu: “O que sinto por você”. Logo depois, acrescentou: “Esquece”.
A funcionária perguntou se ele gostaria de conversar por telefone e disse não entender o motivo da abordagem. Casimiro voltou a sugerir que a conversa ocorresse pessoalmente.
Pastor pediu desculpas durante reunião, diz ex-funcionária
A mulher afirmou ainda que participou de uma reunião no gabinete pastoral em 15 de agosto de 2024 para discutir o comportamento de Casimiro. Além dos dois, estavam presentes a superiora imediata da funcionária e um presbítero.
Segundo o depoimento, o pastor pediu desculpas e afirmou ter “caído num laço do inimigo”. Casimiro também teria dito que havia “invertido os papéis”, pois enxergava a funcionária como uma filha, e manifestado a intenção de ajudá-la financeiramente na compra de um apartamento.
Ainda de acordo com o relato apresentado à Justiça, o reverendo a abraçou durante o encontro e disse que gostaria que ela permanecesse trabalhando na Junta Missionária.
A funcionária, no entanto, pediu para ser demitida sem justa causa para receber a multa rescisória e os demais direitos trabalhistas. O pedido foi atendido.
Na ação, a mulher afirmou ter entendido que as mensagens e os comportamentos atribuídos ao pastor representavam não apenas assédio, mas também “abuso espiritual”.
Permanência de pastor passou a ser questionada
Após a repercussão do caso, a permanência de Arival Dias Casimiro à frente da Igreja Presbiteriana de Pinheiros passou a ser questionada dentro da comunidade presbiteriana.
A discussão ocorre em meio a um debate interno da Igreja Presbiteriana do Brasil sobre a exposição pública de conflitos envolvendo suas lideranças.
Em agosto, a cúpula da IPB aprovou uma resolução contra a chamada “maledicência digital”. O documento prevê sanções para integrantes que levem supostos erros de lideranças ao chamado “tribunal da internet”.
A resolução também cita a circulação de fofocas e “denúncias vazias” que possam colocar a igreja em evidência.
Fonte: @folhadespaulo
