A Câmara Municipal de Rio Largo suspendeu, na noite da quinta-feira (11), a analise da prestação de contas do ex-prefeito Gilberto Gonçalves (MDB) refere ao exército financeiro de 2022.
A votação do parecer do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TCE-AL), que recomenda a rejeição das contas, estava prevista para ocorrer durante a sessão, mas acabou interrompida, após a apresentação de uma decisão liminar relacionada ao processo.
O parecer havia sido encaminhado à presidência do Legislativo em 15 de junho de 2026, por meio do Ofício nº 592/2026-DGP. O processo é identificado pelo número TC-8363/2023, enquanto o parecer prévio corresponde ao PRRP-CRMA-67/2025, relatado pela conselheira Rosa Maria Ribeiro de Albuquerque.
Segundo o comentarista Leonardo Silva, durante a sessão da quinta-feira, um vereador ligado ao ex-prefeito apresentou à Câmara um documento referente à liminar que determinava a suspensão dos trabalhos relacionados à apreciação das contas. Inicialmente, o documento foi levado à leitura dos vereadores.
De acordo com Leonardo, após a leitura em plenário, o presidente da Câmara, vereador Rogério Silva (PP), teria sido oficialmente notificado sobre a decisão que suspende a tramitação do processo. Os trabalhos relacionados à análise das contas ficam interrompidos até uma nova determinação.
A prestação de contas já havia sido colocada em pauta anteriormente, mas a apreciação foi adiada após um pedido de vista. O processo voltou ao plenário nesta quinta-feira, quando os vereadores deveriam decidir se acompanhariam ou não a recomendação do Tribunal de Contas.
Inconsistências
O parecer do TCE-AL recomenda a rejeição das contas e aponta inconsistências relacionadas à execução orçamentária durante o exercício de 2022. Entre os principais pontos: a abertura de aproximadamente R$ 39 milhões em créditos adicionais acima do limite estabelecido pela legislação; a utilização considerada irregular de R$ 14,4 milhões em créditos suplementares e a autorização de cerca de R$ 1,3 milhão acima do excesso de arrecadação efetivamente apurado no período.
Pedido de reconsideração
Antes da sessão, o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves havia apresentado um pedido de reconsideração ao Tribunal de Contas, buscando a reavaliação do parecer que recomendou a rejeição das contas.
Patrimônio zerado
Gilberto Gonçalves declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 0 para disputar as eleições de 2026. É a quarta vez que o político apresenta patrimônio zerado em uma eleição. Nas disputas de 2012, 2016 e 2020, Gonçalves também declarou não possuir bens. Com a candidatura deste ano, já são quatro eleições, em um intervalo de 14 anos, nas quais o ex-prefeito informa patrimônio igual a zero.
O histórico do político inclui pelo menos três prisões. Em agosto de 2022, quando era prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves foi preso preventivamente pela Polícia Federal no âmbito da Operação Beco da Pecúnia, que investigava suspeitas de desvios de recursos federais destinados à educação e à saúde, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação apontava irregularidades em contratos do município e movimentações de recursos que teriam ocorrido entre 2019 e 2022.
Nova determinação
A Câmara não chegou a concluir o julgamento das contas. O Legislativo deverá aguardar uma nova determinação para saber quando poderá retomar a análise do processo.
A suspensão ocorre em meio à movimentação política de Gilberto Gonçalves, que é candidato a deputado federal nas eleições desse ano pelo MDB
Uma eventual rejeição das contas pela Câmara não representa, por si só, o impedimento automático da candidatura. Eventuais consequências eleitorais dependem da análise dos requisitos previstos na legislação e de decisão da Justiça Eleitoral.
O caso agora aguarda uma nova manifestação sobre a liminar para que a Câmara possa definir os próximos passos da análise das contas referentes ao exercício financeiro de 2022.
Por Redação

