Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, entrou para a política em 2010 como fenômeno eleitoral. Concorrendo pela primeira vez a deputado federal por São Paulo, com o slogan “vote no Tiririca, pior que tá não fica”, surfou o descrédito do eleitor com a classe política e recebeu mais de 1,3 milhão de votos, tornando-se um dos parlamentares mais votados da história do país. Era, à época, mais estratégia de marketing do que projeto político.
Reeleito em 2014 com mais de 1 milhão de votos e em 2018 com pouco mais de 450 mil, o palhaço-deputado seguiu na Câmara mais pela força da marca pessoal do que pela atuação parlamentar. A trajetória, no entanto, é de queda constante: de fenômeno de urnas a nome cada vez mais discreto no plenário.
Desde 2018 não discursa nem relata propostas, e desde 2019 não apresenta um único projeto de lei novo.
Ao longo de quatro mandatos, Tiririca chegou a propor 40 projetos de lei, boa parte deles voltada a pautas ligadas ao circo e aos artistas do meio, como isenção de pedágio para profissionais circenses. Só um se converteu em lei de fato: o projeto que instituiu o Programa de Cultura do Trabalhador e criou o vale-cultura, sancionado em 2012 como Lei 12.761, do qual foi coautor junto a outros parlamentares. O restante ficou pelo caminho, arquivado ou parado eternamente em alguma comissão.
Agora, depois de mais de uma década representando São Paulo, Tiririca corre atrás de um quinto mandato e decidiu mudar de rota: trocou o PL pelo PSD e migrou o domicílio eleitoral para o Ceará, terra natal, onde tentará se reeleger em outubro de 2026 embalado pelo apoio da bancada local. Para marcar a nova fase da campanha, aposentou o discurso “sem palhaçada” prometido em mandatos anteriores e apostou em um vídeo gerado por inteligência artificial, no qual aparece fantasiado de Michael Jackson dançando ao som do jingle de sempre.
Depois de quatro mandatos, uma lei sancionada e 15 anos de Câmara, o retrato que fica é o de um deputado que aposta a reeleição menos na produção legislativa e mais na capacidade de se reinventar como personagem, ano após ano, eleição após eleição.
Fonte: @pontodevistaabr

