Doença é altamente contagiosa e pode causar pneumonia, encefalite e até morte; Brasil confirmou 38 casos em 2025 e mantém registros em 2026, enquanto países das Américas enfrentam aumento expressivo de infecções
Uma doença que já foi controlada no Brasil voltou a exigir atenção das autoridades de saúde. O sarampo apresenta aumento expressivo de casos nas Américas, enquanto o Brasil registra novas ocorrências em 2026 e reforça as estratégias de vacinação para evitar a reintrodução da circulação do vírus.
Em 2025, o país confirmou 38 casos de sarampo, todos relacionados à importação ou à importação do vírus, sem retomada da transmissão endêmica. Em 2026, o Ministério da Saúde confirmou novos casos e, em julho, ampliou a recomendação de vacinação em três municípios de São Paulo diante de uma cadeia de transmissão relacionada à importação. Na Bahia, não há nenhum registro de sarampo. Os últimos casos confirmados, conforme a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, ocorreram em 2020, quando foram registrados sete casos associados ao surto iniciado em 2019.
Nas Américas, o cenário é ainda mais preocupante. Até 27 de junho, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) contabilizava 22.974 casos confirmados de sarampo em 17 países e territórios, número 181% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Também haviam sido registradas 39 mortes.
Por que o sarampo preocupa tanto?
O sarampo é uma doença viral extremamente contagiosa, transmitida principalmente por meio de partículas respiratórias eliminadas ao falar, tossir ou espirrar.Por causa da alta transmissibilidade, a circulação do vírus pode crescer rapidamente quando encontra pessoas que não estão imunizadas.
“O sarampo é realmente um indicador de qualidade vacinal e de adesão às vacinas, porque é muito transmissível. Então, quando começam a aparecer casos, mostra uma baixa cobertura vacinal”, ressalta a pediatra e coordenadora do Centro de Vacinas Pequeno Príncipe, Heloisa Ihle Garcia Giamberardino.
O Brasil voltou a ser reconhecido como país livre da circulação endêmica do sarampo em 2024, mas o status depende da manutenção de altas coberturas vacinais e da interrupção rápida de eventuais cadeias de transmissão. Apesar de não ter registro de transmissão sustentada do vírus no estado, de acordo com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), a manutenção da cobertura vacinal alta é imprescindível.
“A propagação do vírus voltou devido à redução da cobertura vacinal nos últimos anos, abrindo espaço para o reaparecimento da doença, que já estava sob controle no país desde 2024, quando o Brasil tinha recuperado o status de zona livre da circulação endêmica, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde. Mas, quando parte da população deixa de se imunizar, o vírus volta a circular. Por isso, é fundamental seguir o calendário de vacinação de cada cidade para evitar novos surtos”, afirma o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos.
Febre, manchas e conjuntivite estão entre os sinais
Depois do contato com uma pessoa infectada, os sintomas costumam aparecer após um período de incubação que pode chegar a cerca de duas semanas.
Entre os principais sinais estão:
- febre alta, geralmente acima de 38,5 °C;
- manchas vermelhas na pele;
- conjuntivite não purulenta;
- coriza;
- tosse;
- secreção nasal.
O infectologista pediátrico Victor Horácio, do Hospital Pequeno Príncipe, chama atenção ainda para um sinal característico que pode surgir antes das manchas pelo corpo. “O sarampo tem uma particularidade ainda, na qual 72 horas antes do aparecimento do rash cutâneo você vê um salpicado esbranquiçado, que são as manchas de Koplik, dentro da boca do paciente”, explica. A presença de sintomas compatíveis, principalmente após contato com caso suspeito ou confirmado, deve motivar avaliação médica.
Já o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos, ressalta que o contágio do sarampo é semelhante, por exemplo, ao da tuberculose, que é transmitida diretamente de pessoa para pessoa por via aérea. “Então, a pessoa contaminada deve ficar em isolamento e o contato tem que ser feito com todas as precauções para que não tenha riscos de contaminação, como o uso de máscaras, preferencialmente N95 ou PFF2”, esclarece.
Doença pode provocar complicações graves em crianças
Apesar de muitas vezes começar com sintomas semelhantes aos de outras infecções virais, o sarampo pode provocar complicações importantes.
Segundo informações do Ministério da Saúde, entre as principais estão:
- Pneumonia: pode atingir aproximadamente uma em cada 20 crianças com sarampo e é uma das principais causas de morte relacionada à doença na infância.
- Otite média aguda: ocorre em cerca de uma em cada dez crianças infectadas e, em alguns casos, pode provocar perda auditiva permanente.
- Encefalite aguda: pode ocorrer em aproximadamente uma a quatro crianças a cada mil casos. Entre os pacientes que desenvolvem essa complicação, há risco de morte.
- Morte: complicações da doença podem levar à morte, especialmente em crianças e outros grupos mais vulneráveis.
Existe ainda uma complicação rara e grave chamada panencefalite esclerosante subaguda (PEES), uma doença neurodegenerativa progressiva e fatal associada a uma infecção persistente pelo vírus do sarampo. “Se você está vacinado contra o sarampo, você está protegido”, ressalta Victor Horácio.
A coordenadora do Núcleo Técnico Operacional (NTO) do Sabin, Híbera Brandão, alerta que a sorologia do sarampo é fundamental para confirmar infecções agudas por meio da detecção de anticorpos IgM específicos no sangue. “Ela valida o diagnóstico clínico do médico em pacientes com febre e manchas vermelhas, diferenciando o sarampo de outras doenças exantemáticas e ajuda a orientar ações rápidas de vigilância epidemiológica e bloqueio de possíveis surtos”, afirma.
Não existe remédio específico para curar o sarampo
Fonte: Correio24horas
