O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou nesta sexta-feira (7) que não conhece o deputado federal Alfredo Gaspar(PL-AL). A declaração envolvendo Gilmar Mendes e Alfredo Gaspar ocorre no contexto do acompanhamento de uma notícia-crime que tramita sob relatoria do magistrado na Suprema Corte.
O posicionamento do ministro foi feito após o parlamentar, indicado como pré-candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições de 2026, declarar publicamente que o integrante do STF não gostava dele. Na ocasião, Gaspar havia afirmado que esperava uma atuação totalmente imparcial na condução do processo.
Evento acadêmico em São Paulo e contexto da fala
A manifestação de Gilmar Mendes ocorreu durante o lançamento da edição comemorativa de 30 anos do livro Jurisdição Constitucional, realizado na sede do Instituto Direito Público (IDP), em São Paulo. A obra é fruto da pesquisa de doutorado desenvolvida pelo ministro na Alemanha.
Ao ser questionado sobre o deputado e sobre as falas proferidas no dia anterior, Mendes foi direto em sua resposta: “Não conheço”, resumiu o relator ao ser indagado sobre a relação com o parlamentar alagoano.
Entenda o caso e os pontos da investigação
O processo em questão refere-se a uma acusação, ainda sem comprovação, relacionada a um suposto estupro de vulnerável. A notícia-crime foi apresentada formalmente em 27 de março pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) e pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).null
O deputado Alfredo Gaspar nega categoricamente todas as acusações contidas no procedimento. Os principais pontos que envolvem o caso e a manifestação da defesa incluem:
- Negação dos fatos: O parlamentar afirma que nunca manteve relação sexual com uma adolescente de 13 anos e que não é pai da criança mencionada;
- Envolvimento de terceiro: Segundo a versão apresentada por Gaspar, o caso envolveu um primo seu e teria ocorrido de maneira consensual;
- Produção de provas: A defesa do deputado busca maior celeridade na tramitação para antecipar a produção de provas no processo;
- Caráter preliminar: O procedimento não possui denúncia formal aceita e segue em fase de checagem inicial.
Tramitação e manifestação da Procuradoria-Geral da República
Questionado sobre o pedido do deputado por uma tramitação mais rápida do processo para a produção de provas, Gilmar Mendes ressaltou que essa demanda não é a questão central no momento. O ministro explicou que o procedimento ainda se encontra em estágio inicial.
“O que está submetido a mim ainda é um pedido de providências preliminares por parte da Procuradoria-Geral da República. Isso foi encaminhado pela Polícia Federal. Vamos exaurir essa fase para depois nos debruçarmos sobre outra, eventualmente”, ponderou o relator.
A Polícia Federal solicitou a abertura das investigações no mês de abril de 2026. Seguindo o rito regimental, Gilmar Mendes encaminhou os autos para manifestação oficial da Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá avaliar as medidas cabíveis para o prosseguimento da apuração.

