A Sports Media Entertainment (SME) escolheu um alvo curioso para sua defesa no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade): a vida financeira do próprio denunciante.
Em manifestação de 72 páginas protocolada em 26 de junho, a que o Metrópoles teve acesso, a investidora do Futebol Forte
União (FFU) dedica parágrafos inteiros à crise do Centro Sportivo Alagoano (CSA) — o clube que a denunciou por criar barreiras à saída de times do Condomínio Forte União.
A peça lista passivos “da ordem de R$ 20 milhões”, recuperação judicial “sob risco de anulação no STJ”, o afastamento de dirigentes “sob acusação de fraudes financeiras” e até emendas parlamentares recebidas pelo clube – tudo com base em notícias de imprensa.
O tom impressiona. A empresa ironiza os gastos do clube, que teria contratado parecer e advogados “por certo com custos superiores à sua própria folha de pagamento mensal” – estimativa sem comprovação.
A denúncia é chamada de “teratológica” e fruto de
“esquizofrenia processual”, e o rebaixamento à Série D vira argumento de desqualificação: o clube estaria reclamando de um campeonato “do qual sequer tem condições de participar”.
Advogados concorrenciais ouvidos pelo Metrópoles apontam o risco da estratégia: a saúde financeira do denunciante é irrelevante para o Cade — e a ênfase no ataque pessoal pode soar, para a Superintendência-Geral, como escassez de argumentos melhores.
A reação do clube foi imediata. Ao comentar a peça, o advogado do CSA, Igor Franco, afirmou que o documento “reflete bem a Sports Media, que é controlada por pessoas que não entendem nada de futebol brasileiro — menos ainda do quão difícil é fazer futebol no Nordeste”.
O defensor anunciou ainda que o clube vai procurar a FFU, associação que reúne os times do bloco, “para tomar as providências cabíveis”.
Fonte: metrópoles
