O cenário político de Rio Largo entrou de vez em estado de tensão após os movimentos do prefeito Carlos em direção ao ex-prefeito de São José da Laje, Neno. Nos bastidores, a leitura é uma só: o jovem gestor decidiu romper politicamente com o grupo que o colocou no poder e iniciou uma travessia arriscada ao abandonar compromissos assumidos com seu padrinho político, o ex-prefeito Gilberto Gonçalves.
A aproximação com Neno foi interpretada dentro do grupo governista como um gesto calculado de enfrentamento político e um recado direto ao núcleo dos Gonçalves. O problema é que, segundo aliados históricos do ex-prefeito, Carlos não apenas se afastou politicamente: teria descumprido acordos políticos, administrativos e financeiros firmados ainda durante a construção de sua candidatura.
Gilberto Gonçalves, que tinha convicção de que seguiria influenciando diretamente os rumos da prefeitura, agora acompanha um movimento completamente diferente daquele desenhado durante a sucessão municipal. O rompimento também respinga diretamente sobre a deputada Gabi Gonçalves, prima do prefeito e filha de Gilberto, que passa a ser atingida por uma disputa cada vez mais pública e agressiva.
Nos corredores da política alagoana, cresce a avaliação de que Carlos acelera um processo perigoso para alguém em início de mandato. Isso porque o prefeito começa a consolidar uma imagem que já circulava nos bastidores: a de alguém que não costuma cumprir compromissos políticos duradouros. E na política, confiança perdida costuma ter um preço alto.
Aliados antigos do grupo lembram que Rio Largo possui um histórico traumático de rompimentos políticos, perseguições internas e guerras de poder que quase sempre terminam em desgaste administrativo, isolamento político e instabilidade institucional. A cidade já viu esse filme antes — e os desfechos nunca foram positivos.
A tentativa de construir um novo eixo político ao lado de Neno pode até garantir movimentação momentânea, mas há quem avalie que o prefeito troca estabilidade por um projeto cercado de incertezas. Em política, a traição até desperta curiosidade e movimenta o tabuleiro. O eleitor, porém, costuma reagir de outra forma.
E é exatamente aí que mora o risco para Carlos: enquanto articula novos aliados, pode estar perdendo aquilo que nenhum mandato consegue recuperar facilmente depois que se rompe — a confiança política e popular.
por assessoria
