O Congresso que agora fala em cassar o mandato do ministro Alexandre de Moraes é o mesmo que fechou os olhos para um senador flagrado com R$ 30 mil na cueca; para uma deputada que mandou hackear o sistema do Conselho Nacional de Justiça;
para um parlamentar acusado de mandar matar Marielle Franco; para um deputado que abandonou o mandato e foi para os Estados Unidos conspirar contra o Brasil; e ainda para aquele que agrediu com chutes um crítico dentro das dependências da Câmara.
O “Congresso moralizante” só existe da porta das Casas Legislativas para fora. Dos citados acima, quem perdeu o mandato foi por faltas às sessões — não pelos crimes de que foram acusados.
Deputados e senadores que hoje se dizem escandalizados com as relações de Moraes com o Banco Master são os mesmos que ignoraram o fato de um colega torrar R$ 123 mil de dinheiro público com harmonizações facial e dentária. Absolutamente nenhum parlamentar questionou a despesa – e a conta para renovar a cara de pau do deputado José Rocha (União-
BA) ficou, como sempre, para o contribuinte.
A CPMI do INSS, que tenta pegar carona na repercussão do caso Master, também ignora o envolvimento de parlamentares no esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-
PB), emprega funcionários fantasmas. Um outro ex-assessor, investigado na CPMI do INSS, movimentou R$ 3,1 milhões em seis meses enquanto estava empregado no gabinete.
Já o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-
AP), frequentava as festinhas do banqueiro Daniel Vorcaro e hoje segura a instalação da CPI do Banco
Master – entre outras suspeitas que o cercam.
Moraes está sob pressão do Congresso desde 2021. De lá para cá, 46 pedidos de impeachment contra o ministro foram protocolados, dos quais 14 foram arquivados sumariamente por Alcolumbre.
Fonte : @metropoles

