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Os números não mentem. A safra 2025/2026 de cana-de-açúcar em Alagoas consolida um cenário de forte deterioração econômica no campo. Até 15 de janeiro deste ato, enquanto a produção total do Estado recuou 5,77%, os fornecedores de cana acumulam perdas superiores a 15% no volume entregue, segundo dados do Boletim Quinzenal n° 9 do Sindaçúcar-AL.

De acordo com o boletim, a produção acumulada nas 15 unidades industriais que estão em operação no Estado chegou a 12.760.556 toneladas, em redução de -5,77% na comparação com 13.541.856 de toneladas na safra 2024/205 em igual período (15 de janeiro). Nesse mesmo período, a produção dos tornecedores independentes recuou 15,2%, de 6.120.709 toneladas para 5.185.733 toneladas.

A crise vai muito além dos canaviais. No campo, a queda na produção é resultado da redução do volume de chuvas no verão e dos tratos culturais. Na indústria, o problema se agrava com a queda de preços dos produtos, especialmente do açúcar, nos mercados nacional e mundial.

Para efeito de comparação, o valor médio do saco de açúcar cristal em dezembro de 2025 na indústria em Alagoas, de acordo com o Cepea/Esala, ficou em R$ 120,08 ou US$ 22,07 menor valor desde junho de 2021 (R$ 113,76 ou US$ 20,27).

Na comparação com dezembro de 2024 (R$ 156,29 ou US$ 25,7) a queda nominal é de 23,1% em real e 14,1% em dólar.

No Brasil, o produtor de cana é remunerado de acordo com regras que calculam o valor da matéria-prima (ATR) na fabricação de açúcar ou etanol. Assim, quando o preço dos produtos finais caem, o da cana também é reduzido. O inverso também é verdadeiro.

Em Alagoas, a combinação de quebra de safra entre produtores e queda do preço do ATR já provoca um prejuízo que ultrapassa R$ 338 milhões na safra 2025/2026, iniciada em setembro do ano passado. A perda está concentrada justamente no elo mais frágil da cadeia sucroenergética.

Fonte: edvaldojunior.blog

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