A losartana lidera a lista dos genéricos mais vendidos no Brasil, superando até analgésicos comuns. O fenômeno reflete não apenas o envelhecimento da população, mas também falhas históricas nos cuidados primários. Três em cada dez adultos têm hipertensão – índice acima da média global — e a diretriz de 2025, que passou a classificar 12×8 como pré-hipertensão, ampliou ainda mais o número de pessoas em risco. Nesse cenário, o país trata muito, mas previne pouco, o que impulsiona o uso contínuo do medicamento.
A popularidade da losartana está ligada ao seu mecanismo, que bloqueia o receptor AT1 e impede que a angiotensina lI contraia os vasos sanguíneos. É eficaz, segura, barata, nacional e distribuída pelo SUS, fatores que aumentam a adesão. Ainda assim, ela é apenas uma entre três classes principais de anti-hipertensivos, que também incluem diuréticos e bloqueadores de canais de cálcio. Apesar de ter sido a primeira da sua categoria, versões mais novas, como candesartana e omesartana, apresentam ação mais prolongada e dose única diária, o que favorece o uso regular.
O uso sem acompanhamento médico, porém, se tornou um problema. Muitas pessoas começam a tomar o remédio por indicação de conhecidos ou após um pico isolado de pressão.
A losartana controla os números, mas não corrige causas como apneia do sono, estresse crônico, má alimentação e sedentarismo. A diretriz de 2025 reforça que o tratamento precisa considerar o risco cardiovascular global, mas a atenção primária ainda falha em identificar a doença cedo.
Assim, muitos chegam ao sistema apenas após eventos cardiovasculares.
Embora segura quando fabricada adequadamente, a losartana não resolve sozinha o motor da hipertensão. O controle duradouro depende de medidas como reduzir o sal, aumentar o potássio, praticar exercícios, melhorar o sono, perder peso e medir a pressão regularmente. Como dizem os especialistas, tratar hipertensão é uma maratona — e nenhum comprimido substitui mudanças contínuas de estilo de vida.
Fonte: debate.alagoas
