Olímpia Gomes de Santana Nunes, 80 anos, não deixa que o tempo ou as circunstâncias adiem seu sonho: estudar na Universidade de Brasília (UnB). Mas ela não vai para as aulas sozinha. E, sim, ao lado do marido, José Pereira Nunes, 73, que vive com Alzheimer. A rotina a desafia diariamente a conciliar as aulas com o cuidado do companheiro.
Neste ano, o vestibular 60+ da UnB aprovou 149 candidatos, e Turismo – o curso escolhido por Olímpia — foi um dos mais procurados, ao lado de Terapia Ocupacional, Saúde Coletiva, Ciências Sociais, História, Psicologia e Nutrição.
“Eu não podia deixá-lo em casa sozinho, então pedi autorização para trazê-lo comigo”, conta Olímpia. A coordenação do curso acolheu o pedido, e José acompanha as aulas discretamente, sentado em um banco perto da janela, observando cada passo da esposa.
A decisão, que poderia parecer arriscada para muitas famílias, é um exemplo do que especialistas defendem como o equilíbrio ideal entre liberdade e segurança. Segundo a gerontóloga Cláudia Alves, autora do livro O Bom do Alzheimer, permitir que o paciente participe de atividades cotidianas, mesmo fora de casa, ajuda na autoestima e na preservação das funções cognitivas.
Fonte: metrópoles
