Maurício Anchieta, proprietário da comunidade terapêutica Luz e Vida, em Marechal Deodoro (AL), foi preso na última sexta-feira (23). A detenção ocorreu após meses de denúncias de maus-tratos, abusos sexuais e a morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Santanna, de 41 anos, que estava internada na unidade.
Em áudios que circulam entre amigos da vítima, a prisão foi recebida como um ato de justiça:
“Toda vez ela falava: ‘vou fechar esse lugar’. Ela não conseguiu porque foi morta, mas vocês fizeram por ela. Estou emocionado, vocês fizeram justiça por Cláudia”, disse um dos amigos.
A Comissão de Amigos de Cláudia Pollyanne, grupo criado para cobrar providências sobre o caso, informou que seu advogado acompanha os desdobramentos do caso todos os dias, inclusive, desde sexta-feira, na Central de Flagrantes (Code), no bairro Mangabeiras.
Um ex-interno da clínica também entrou em contato com a Comissão e reforçou que Cláudia sempre manifestava o desejo de fechar a instituição, considerada por sobreviventes como “um local de tortura e humilhação”.
Relembre o caso

A comunidade terapêutica Luz e Vida foi alvo de graves denúncias feitas por pacientes e ex-pacientes ao longo de 2024. Entre os relatos, constam:
• Abusos sexuais e agressões físicas, muitas vezes praticadas quando o dono, Maurício Anchieta, estava sob efeito de drogas.
• Internos amarrados com fios e dopados constantemente, sob o pretexto de “tratamento”.
• Humilhações e ameaças, incluindo intimidação com cães da raça pitbull.
• Negligência médica e alimentação precária.
O caso ganhou maior repercussão após a morte de Cláudia Pollyanne, que buscava tratamento contra dependência química e estava internada há mais de um ano. Ela foi levada já sem vida a uma UPA apresentando hematomas pelo corpo. O laudo final do Instituto Médico Legal (IML) e o exame toxicológico ainda são aguardados pela família.
As denúncias foram formalizadas em Boletim de Ocorrência por Leonardo Vieira Mendes, bombeiro civil e ex-interno, que relatou ter sido ameaçado e presenciado diversas agressões. A Polícia Civil abriu investigação, e a prisão de Maurício Anchieta marca o primeiro grande desdobramento do caso.
Fonte: Por Redação

