Augusto Melo, presidente afastado, e ex-dirigentes do Corinthians viraram réus no caso da Vai de Bet.
O que aconteceu
A juíza Márcia Mayumi Okoda Oshiro, da 2ª Vara de Crimes Tributários de SP, aceitou a denúncia do Ministério Público contra os seis acusados de envolvimento em um esquema de fraude e lavagem de dinheiro que desviou R$ 1,4 milhão do Corinthians.
Os envolvidos foram denunciados por associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou a citação dos réus para apresentar defesa. O processo segue sob sigilo por envolver dados bancários e fiscais
Quem são os acusados
Augusto Pereira de Melo (ex-presidente)
Marcelo Mariano dos Santos (ex-diretor administrativo)
Sérgio Lara Muzel de Moura (ex-diretor de marketing)
Alex Fernando André (empresário e dono da empresa intermediária)
Victor Henrique Shimada e Ulisses de Souza Jorge, apontados como operadores financeiros do esquema
Segundo o MP, os crimes ocorreram entre dezembro de 2023 e maio de 2024, durante a gestão de Augusto Melo. Os réus são acusados de se associarem para desviar verba do contrato de patrocínio com a Vai de Bet, usando uma empresa de fachada — a Rede Social Media Design, de Alex Fernando André — como “intermediária” fictícia que receberia 7% do valor total do Patrocínio
Ainda de acordo com a denúncia, os valores desviados circularam entre outras empresas de fachada até serem usados para pagar dívidas políticas e, posteriormente, para enriquecimento dos envolvidos. O MP requer ainda uma indenização mínima de R$ 40 milhões ao clube. Citado no relatório da polícia, o ex-diretor jurídico do Corinthians, Yun Ki Lee não foi denunciado
O que diz Augusto Melo
O presidente do Corinthians, Augusto Melo, afirma que todas as acusações contra ele são falsas. Ele é vítima de um processo ilegal e repleto de nulidades e abusos, como o acesso a dados do Coaf sem autorização judicial e a participação da Policia Civil e do Ministério Público de São Paulo em um caso de competência da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, uma vez que envolve um contrato internacional
O recebimento da denúncia pela Justiça é uma etapa formal do processo, que não altera em nada o curso da ação. A defesa vai impetrar os habeas corpus necessários com o objetivo de fulminar esse processo kafkiano e ilegal.
O presidente Augusto Melo nada deve e nada teme, por isso já solicitou o fim do sigilo que impede o acesso da torcida corinthiana à íntegra dos documentos da ação. A defesa também solicitou que as autoridades competentes, a PF e o MPF, cuidem do caso. Está em curso ainda uma investigação defensiva, conforme regulamentado pela OAB, que comprovará a inocência do presidente legitimamente eleito do Corinthians.
Augusto Melo segue confiante de que a verdade prevalecerá e reitera seu compromisso com a retomada da organização financeira do clube, que sofreu grande retrocesso desde que ele foi retirado do cargo por seus adversários políticos, que hoje conduzem uma gestão conhecida pelo não pagamento de obrigações e depreciação do clube dentro e fora de campo.
Relembre o caso Vai de Bet
Em março do ano passado, o Corinthians fez dois depósitos de R$ 700 mil cada para empresas de Alex Cassundé — a Rede Social Media Design Ltda, que foi escolhida para intermediar o patrocínio da Vai de Bet com o Corinthians, pertence ao empresário.
Segundo a polícia, a maior parte deste dinheiro passou por contas bancárias de três empresas de fachada e que estão em nome de “laranjas”
Uma das transferências da Rede Social Media Design Ltda foi de R$ 580 mil à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda — mais R$ 462 mil foram transferidos para a mesma destinatária.
Em entrevista ao UOL, a sócia da empresa laranja, Edna Oliveira dos Santos, contou que vive de favor em uma comunidade em Peruíbe com os três filhos pequenos e depende do Bolsa Família para alimentá-los.
Em junho do ano passado, a Vai de Bet rompeu contrato com o Corinthians ao acionar a cláusula anticorrupção
Fonte: UOL
