Weather
Maceió, AL
28 °C / 27 °C
Coins
Dólar: R$ 5,45 Euro: R$ 6,37 ↑

Com um atraso de 128 anos, a Academia Brasileira de Letras (ABL) elegeu, nesta quinta-feira (10), a primeira mulher negra imortal de sua história: a escritora mineira Ana Maria Gonçalves. Autora do aclamado romance

Um Defeito de Cor, ela ocupará a cadeira 33, antes pertencente ao gramático e filólogo Evanildo Bechara, falecido em maio deste ano.

Gonçalves foi eleita com 30 dos 31 votos possíveis, superando outros 11 candidatos. Sua eleição marca um momento histórico na lenta abertura da ABL à diversidade racial e de gênero. Em mais de um século de existência, a instituição havia eleito apenas três membros negros:

Machado de Assis, Domício Proença Filho, Gilberto Gil.

Ana Maria Gonçalves é a 13ª mulher a integrar a Academia.

Antes dela, a jornalista Miriam Leitão foi eleita em abril deste ano. Seu principal livro, Um Defeito de Cor, publicado em 2006, narra a saga de Kehinde, uma mulher africana escravizada na Bahia que passa a vida em busca do filho perdido. A obra venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleita pela Folha de S.Paulo como o melhor livro da literatura brasileira no século 21.

A relevância do romance também reverberou no Carnaval de 2024, ao inspirar o samba-enredo da escola de samba Portela, no Rio de Janeiro. O desfile foi premiado com o Estandarte de Ouro e teve destaque no Desfile das Campeãs.

Além da literatura, Ana Maria Gonçalves atua como roteirista, dramaturga e professora de escrita criativa — uma trajetória múltipla agora reconhecida por uma das instituições mais tradicionais do país, ainda que tardiamente.

Fonte: Mídia Ninja

Share.