Um novo teste de saliva, que pode ser feito em casa, mostrou ser mais preciso do que o exame de sangue tradicional para identificar homens com maior risco de desenvolver câncer de próstata.
O estudo, chamado BARCODE 1, foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres e do Royal Marsden NHS Foundation Trust e publicado no New England Journal of Medicine.
A novidade está na forma como o risco é calculado: em vez de medir os níveis da proteína PSA (antígeno prostático específico) no sangue – que podem estar elevados por vários motivos —, o teste analisa o DNA da saliva em busca de variantes genéticas associadas ao câncer de próstata. A partir disso, é calculado um “escore de risco poligênico”, que indica a chance de a pessoa desenvolver a doença.
“Uma simples amostra de saliva pode identificar os homens com maior risco de câncer de próstata de forma mais precisa do que o exame de sangue atual. Isso nos permitirá diagnosticar mais cânceres precocemente e com maior chance de cura”, disse em comunicado a professora de oncogenética e pesquisadora líder do estudo, Ros Eeles.
Os pesquisadores recrutaram 6.142 homens europeus com idades entre 55 e 69 anos, faixa etária em que o risco da doença é mais elevado. O escore genético foi calculado com base em 130 variações no DNA associadas ao câncer de próstata, descobertas a partir da análise do material genético de centenas de milhares de homens.
Os participantes com os 10% de pontuação de risco mais altos foram convidados para exames mais detalhados, como ressonância magnética e biópsia. Entre os 468 homens avaliados, 187 (40%) foram diagnosticados com câncer de próstata.
O número é significativamente maior que o percentual de diagnósticos obtido com o teste de PSA, que leva ao diagnóstico de câncer em apenas 25% dos casos com resultado alto. Além disso, o novo teste de saliva foi capaz de identificar cânceres em 118 (63,1%) homens que tinham níveis de PSA considerados normais — o que normalmente não indicaria necessidade de investigação adicional.
Fonte: Metrópoles

