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Ex-presidente afirmou que foi contra a paralisação dos caminhoneiros e que o Exército seria contra o golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro procurou ressaltar, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que não tinha relação com os acampamentos montados na frente dos quarteis e os atos golpistas de 8 de janeiro. O ex-presidente chamou alguns manifestantes de “malucos” por defender o Ato Institucional nº 5, de 1968, e a intervenção militar. Ele também explicou que não desmobilizou o movimento porque tinha receio que a Praça dos Três Poderes fosse ocupada.

Agora, tem sempre os malucos, que ficam pedindo AI-5, intervenção militar. As Forças Armadas jamais embarcariam nessa. Nós não estimulamos nada de anormal — disse Bolsonaro, destacando que “não torceu para o pior”. 

— Se nós desmobilizássemos aquilo, poderia o pessoal ir na região aqui da Praça dos Três Poderes, o que é pior ainda. [É melhor] ficar lá, afastado — completou o ex-presidente. 

O ex-presidente defendeu ainda que a Polícia Federal deveria investigar as pessoas responsáveis por convocar os atos de 8 de janeiro. Segundo o político do PL, era um “pessoal conservador diferente do nosso”.

— Não sei por que a Polícia Federal não investigou essas pessoas para ir até o 8 de janeiro [em Brasília]. Essas pessoas foram embora, e deixaram o povo acampado lá. Não procede que eu colaborei com o 8 de janeiro — disse ele, e completou: 

— Não tem nada meu ali estimulando aquela baderna que nós repudiamos, que nós nunca fizemos isso ao longo dos anos. 

O ex-mandatário foi ouvido nesta tarde no curso da ação penal que trata sobre a trama golpista. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Bolsonaro fazia parte do “núcleo crucial” da trama golpista.

Em movimentos nossos pelo Brasil, eu chegava para quem estava com a placa do AI-5 e questionava: ‘O que é AI-5’. Eles nem sabiam o que era isso. Intervenção militar, isso não existe. É pedir pro senhor praticar o suicídio, isso não existe — comentou Bolsonaro. O AI-5 foi um decreto promulgado pela ditadura militar que recrudesceu a repressão política e a censura no Brasil. 

Frente a frente

Esta é a primeira vez que Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, ficam frente a frente em uma audiência na Primeira Turma da Corte para responder a questionamentos sobre a trama golpista. O ex-presidente e o ministro do Supremo já estiveram na mesma sala durante o julgamento da denúncia, em março deste ano, mas não interagiram.

O interrogatório ocorre no âmbito da ação penal que avalia se Bolsonaro e outros sete réus, o chamado “núcleo crucial”, planejaram um golpe de Estado para impedir a posse do presidente Lula no fim de 2022. Eles são acusados dos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Fonte: O Globo

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