Por Danúbia Barbosa (socióloga)
A presença feminina na política é uma conquista histórica, fruto de décadas de luta por igualdade e representatividade. No entanto, essa conquista ainda é constantemente ameaçada por uma prática tão cruel quanto silenciosa: a violência política de gênero. Esse tipo de violência tem se intensificado nos últimos anos e representa um sério obstáculo para a plena participação das mulheres na vida pública.
A violência política contra as mulheres se manifesta de diversas formas — ataques verbais, desqualificação profissional, assédio moral, ameaças físicas e virtuais, exposição de dados pessoais, e até agressões físicas. Ela ocorre justamente porque essas mulheres ocupam espaços historicamente negados a elas, desafiando estruturas de poder consolidadas por uma lógica machista e patriarcal.

Segundo dados do TSE, nas eleições mais recentes, diversas candidatas relataram episódios de violência política, seja durante a campanha ou já no exercício do mandato. Parlamentares mulheres, especialmente as negras, indígenas ou LGBTQIA+, enfrentam um duplo ou triplo preconceito. Elas são silenciadas, ridicularizadas e atacadas não por suas ideias, mas por sua existência.
Esse cenário não é apenas um problema individual, mas uma ameaça à democracia. Quando uma mulher é impedida de exercer livremente seu papel político por conta de sua identidade de gênero, toda a sociedade perde. A política se empobrece, a diversidade de ideias diminui, políticas públicas específicas deixam de serem criadas e o sistema democrático enfraquece.
Felizmente, avanços legais começaram a ser feitos. A Lei nº 14.192/2021, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher, é um marco importante. No entanto, sua efetivação ainda enfrenta desafios. É preciso fortalecer mecanismos de denúncia, ampliar a proteção às vítimas e promover uma cultura de respeito e equidade no ambiente político
.

É fundamental também que partidos, instituições e a sociedade civil se comprometam com a transformação dessa realidade. Incentivar candidaturas femininas não é suficiente se não houver um compromisso real com a segurança e o respeito às mulheres na política.
A luta contra a violência política de gênero é, portanto, uma luta por justiça, democracia e igualdade. Não basta apenas abrir espaço, é preciso garantir que ele seja seguro, justo e respeitoso para todas.

