Weather
Maceió, AL
28 °C / 27 °C
Coins
Dólar: R$ 5,45↓ Euro: R$ 6,37 ↑

PL participou da vitória estadual, elegeu dois deputados e ajudou no tempo de rádio e TV; filho de Gaspar já ocupou secretaria de JHC, mas o cenário nacional impõe novos cálculos a aliança

O PL esteve ao lado de JHC, contribuiu para a estrutura da campanha e ajudou a compor o tempo de rádio e televisão da coligação vencedora. Alfredo Gaspar também integrou essa aliança. Agora, derrotado na disputa pela Vice-Presidência e sem novo mandato para fevereiro, o deputado se encontra diante de uma pergunta que interessa à política alagoana: havera lugar para ele, para o filho ou para seu grupo no governo JHC?

A questão tem antecedentes concretos. A aproximação entre os dois não ficou restrita ao palanque. Em julho de 2023, Carlos Mendonça Neto, filho de Alfredo Gaspar, foi anunciado para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Maceió, na gestão de JHC. A própria prefeitura registrou sua atuação à frente da pasta. Ele anunciou a saída em abril de 2024.

Portanto, discutir espaços para o grupo de Gaspar não é inventar uma relação política. Ela já teve expressão no primeiro escalão municipal. O que permanece em aberto é se essa participação será retomada no governo estadual, por quais nomes e com qual dimensão.

O PL não saiu de mãos vazias da eleição em Alagoas. Conquistou duas cadeiras na Assembleia Legislativa: Cabo Bebeto, com 99.165 votos, e Leonardo Dias, com 17.178. Bebeto foi o estadual mais votado do estado. Na Câmara dos Deputados, porém, a legenda não elegeu nenhum representante por Alagoas. Delegado Fábio Costa, frequentemente associado ao mesmo campo político, foi reeleito pelo PP, não pelo PL.

Essa distinção é decisiva. Gaspar ficará sem mandato, mas seu partido continuará com presença na Assembleia, onde JHC precisara negociar projetos e construir sustentação. Há peso politico a considerar, embora os mandatos de Bebeto e Dias não possam ser tratados como patrimônio pessoal de Gaspar.

Também existe a contribuição eleitoral. O documento do TRE-AL sobre a distribuição da propaganda registra o PL na composição do horário da coligação Alagoas Gigante. Não foi uma cessão pessoal de tempo pelo deputado, mas participação partidária na estrutura que levou JHC à vitória.

Reconhecer essa contribuição, entretanto, nao signitica admitir que uma campanha produza direito adquirido a cargos públicos. É justamente na passagem do palanque para o governo que as prioridades ficam mais claras.

O cenário nacional acrescenta uma dificuldade. Na terça-feira (27), Gaspar reafirmou solidariedade a Flávio Bolsonaro, falou em “perseguição implacável” e prometeu lealdade ao aliado. Não houve, portanto, afastamento político após a derrota da chapa presidencial.

A narrativa de perseguição não se torna comprovada porque um aliado a repete. Questionar decisões judiciais é um direito; transformar investigações em uma conspiração exige demonstração. Ao aderir a esse discurso, Gaspar assume uma posição que ultrapassa a solidariedade pessoal e o mantém identificado com o confronto do bolsonarismo com as instituições.

Para JHC, uma eventual nomeação de Gaspar poderia representar reconhecimento à parceria eleitoral. Mas também colocaria dentro do governo uma das principais figuras da chapa derrotada por Lula, precisamente quando o governador eleito terá de construir uma relação institucional com o presidente reeleito.

Isso não autoriza prever retaliações de Brasília nem afirmar que Lula vetaria qualquer nome. A relação entre União e estado deve servir à população, não às conveniências partidárias. O problema é o sinal político: qual mensagem JHC pretende transmitir com a composição de sua equipe?

Fonte: tribunadosertão

Share.