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O ex-prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, candidato ao governo do Estado pelo PSDB, está sendo acusado por seu adversário de contribuir para o endividamento de milhares de maceioenses com a promoção de uma empresa de apostas em eventos realizados pela Prefeitura de Maceió. A investigação envolve o final da gestão de JHC e o início da administração do prefeito Rodrigo Cunha.

Em 2024, JHC “inaugurou” a influência das bets na capital alagoana com a divulgação da marca “Vai de Bet” como patrocinadora do Massayó Verão, em janeiro, e do São João Massayó, em junho, com várias ações promocionais relacionadas.

Como Lula disse, no comício que fez quinta-feira em Maceió, que vai acabar com as bets, a reportagem da Tribuna Independente perguntou ao candidato JHC se ele é contra ou a favor das apostas online, mas até o fechamento desta matéria ele não respondeu. A assessoria de comunicação do candidato foi questionada se JHC contratou show do cantor Gusttavo Lima, que é ligado às bets, embora afirme que não.

Lima fez propaganda para a “Vai de Bet”, da qual seria um dos sócios. Por conta disso, o artista, amigo de JHC, é investigado pela Polícia de Pernambuco por associação a jogos digitais de azar.

De acordo com informações da grande mídia, Gusttavo Lima tem relação com a empresa “Vai de Bet”, da qual foi garoto-propaganda e teria adquirido 25% da empresa em julho de 2023. A empresa está sob investigação pela Polícia Civil de Pernambuco por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a jogos ilegais.

Além disso, Gusttavo Lima foi alvo de pedido de prisão preventiva devido a suspeitas de participação no esquema de lavagem de dinheiro. A situação levanta questões sobre a legalidade de suas atividades e a relação com o setor de apostas.

Vários artistas ligados às bets foram contratados por JHC e Rodrigo Cunha nos eventos juninos produzidos pela prefeitura nos últimos anos. Entre os mencionados nas investigações e campanhas contra as apostas online, destaque para Gusttavo Lima e Wesley Safadão — este último chegou a dizer, no palco, que estava “apaixonado” pelo então prefeito.

Esses artistas têm sido citados em relatórios e convocações da CPI das Bets, que investiga publicidade de apostas, suspeitas de lavagem de dinheiro, divulgação de jogos online e a relação entre influenciadores digitais e empresas do setor. Apesar da repercussão, a CPI terminou sem indiciamentos aprovados oficialmente pelo colegiado.

No entanto, o assunto voltou à tona com a campanha eleitoral. Além de Lula, outro presidenciável, Renan Santos (Missão), defende o fim das bets. Nas andanças pelo país, o presidente Lula tem dito que “ou o Brasil acaba com as bets ou as bets acabam com o Brasil”, parafraseando o personagem Policarpo Quaresma, criado pelo escritor Lima Barreto.

MP/AL e TCE/AL

Só este ano, a Prefeitura de Maceió gastou mais de R$ 14 milhões no “Massayó 2026”. Os “investimentos” contrastam com a realidade dos problemas da cidade na periferia, como atraso na coleta de lixo e falhas na atenção básica da saúde. Por isso, estão sendo investigados pelo Ministério Público de Alagoas, com o apoio do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AL).

Segundo a assessoria de comunicação do MP/AL, o órgão peticionou ao TCE solicitando diligências, que por ora seguem com as requisições e instrução do processo. Os representantes dos órgãos de fiscalização e controle apuram os contratos e os gastos com o evento junino de Maceió, onde o cantor Gusttavo Lima foi atração em pelo menos as últimas edições, de 2024 para cá.

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Para a assessoria do senador Renan Filho, candidato ao governo de Alagoas pelo MDB, as bets promovidas por JHC destruíram famílias e agravaram o endividamento de pessoas viciadas em jogos online em Maceió.

Segundo os assessores de Renan Filho, o candidato JHC teria usado uma empresa de apostas investigada por lavagem de dinheiro para promover eventos na capital — e não teria prestado contas corretamente dos valores.

Em 2024, JHC “inaugurou” a influência das bets em Maceió com a divulgação da marca “Vai de Bet” como patrocinadora do Massayó Verão, em janeiro, e do São João Massayó, em junho, com várias ações promocionais relacionadas.

Em outubro de 2024, após a parceria de JHC com a “Vai de Bet”, uma pesquisa divulgada pelo instituto DataSenado, voltada especificamente para o endividamento por apostas, mostrou que cerca de 15% dos alagoanos — aproximadamente 382 mil pessoas — haviam gasto dinheiro com bets nos 30 dias anteriores.

Dois anos depois, o efeito foi devastador: em agosto deste ano, segundo pesquisa da Fecomércio/Alagoas, cerca de 84,6% das famílias maceioenses estavam endividadas.

O Massayó Verão e o São João Massayó custaram, juntos, R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões destinados a cachês de artistas. Uma das atrações principais nos dois eventos foi o cantor Gusttavo Lima, representante da marca, que recebeu R$ 1,2 milhão apenas pela apresentação na festa junina.

Durante o show, o cantor chegou a girar uma roleta da “Vai de Bet” para distribuir prêmios em dinheiro ao público. Presente, JHC também subiu ao palco e agradeceu pelo patrocínio da bet.

Além de bancar os dois eventos de JHC, a empresa recebeu apoio do então prefeito para realizar, na capital alagoana, ações como “Vai de Graça, Vai de Bet”, relacionada ao transporte público; “Arrastão Vai de Bet”, que financiou uma apresentação do cantor Bell Marques; e a transmissão oficial do São João, com ampla exposição da marca.

O valor exato repassado pela “Vai de Bet” a JHC para o São João e o Massayó Verão nunca foi divulgado pelo ex-prefeito. Apesar da cobrança por transparência, não houve publicação de contratos, chamamentos públicos ou qualquer edital no Diário Oficial de Maceió. JHC também não divulgou valores nem os termos de compensação firmados pela Prefeitura com a “Vai de Bet”.

“Vai de Bet”

Fundada na Paraíba, a empresa parceira de JHC nos eventos em Maceió é alvo de investigações nos estados de Pernambuco e São Paulo. A “Vai de Bet” é suspeita de lavagem de dinheiro, associação criminosa e repasse de comissões de um contrato de patrocínio no valor de R$ 370 milhões a uma suposta empresa laranja, que, por sua vez, teria enviado valores a uma conta ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

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