Uma área ocupada por moradores sem-teto tem chamado a atenção de quem trafega diariamente pela Avenida Menino Marcelo. O terreno fica próximo ao posto de gasolina do loteamento Acauã, no bairro Cidade Universitária, em Maceió.



Trata-se da ocupação Izac Jackson. Um mobilização do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) em Alagoas criada para cobrar o direito à moradia digna, uma melhor qualidade de vida e o fortalecimento de políticas públicas destinadas a reforma urbana.
Implantada em 25 de julho de 2026, a ocupação reúne 200 famílias em uma área que estava abandonada naquela região. O local possui uma infraestrutura básica com cozinha coletiva, onde são realizadas refeições diárias e gratuitas, que garantem a segurança alimentar das famílias.
Integrante da ocupação, Mila Gomes, relata que as famílias passam por uma seleção feita pelo movimento. Recebem ainda orientações sobre regras de convivência e organização interna. “Não permitimos o consumo de bebidas alcoólicas no local. Tudo é vigiado e controlado pelos próprios moradores que se revezam na segurança da localidade”, explica.
A moradora, Carlinde da Silva morava de aluguel. Mas, com o aumento da mensalidade não pode mais pagar. Juntar-se a ocupação surgiu como uma alternativa no momento da crise. “Foi a minha salvação, tanto para mim quanto para a minha família, no momento em que mais precisávamos”, lembra. “Graças a ocupação meus filhos comem bem todos os dias e aprendem a dividir as coisas que tem. Por isso, sou muito grata aos que nos deram abrigo e um teto”, afirma Carlinde.
De acordo com a coordenação do MTST Alagoas, o perfil das pessoas que compõem a ocupação é de famílias socialmente vulneráveis; muitas delas com insegurança alimentar e sem dinheiro suficiente para sustentar um imóvel de aluguel. Ou seja, às vezes elas precisarem escolher entre pagar a moradia, comprar alimentos ou garantir outras necessidades básicas.
Segundo o MTST a luta nasce da necessidade de transformar indignação em organização. Cada ocupação é um grito coletivo de quem se recusa a aceitar a fome, o desemprego, o abandono e a desigualdade como algo normal. “Não ocupamos por escolha, ocupamos porque a realidade empurra milhares de famílias para essa situação”.
“Há quem tente nos convencer de que lutar por moradia é um crime. Crime, na verdade, é ver milhões de famílias sem um teto digno, enquanto imóveis e terrenos permanecem abandonados, servindo apenas à especulação. Crime é negar direitos básicos a quem trabalha, sonha e luta diariamente para sobreviver”.
Por Redação.
Imagens: Francisco Júnior.

