Ex-presidente do instituto aparece no centro da operação, mas a cadeia de decisões envolve consultoria, comitê de investimentos, gestão municipal e suspeitas que ainda precisam ser esclarecidas
A pressão sobre Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do Iprev de Maceió, aumenta à medida que avançam as cobranças sobre a aplicação de R$ 117 milhões do fundo previdenciário dos servidores municipais no Banco Master .
Ronnie comandou o instituto no período em que o investimento foi realizado e, por isso, passou a ser tratado como personagem central do caso. Mas a pergunta que agora cresce nos bastidores políticos, jurídicos e administrativos é outra: ele suportara sozinho o peso de uma operação desse tamanho?
A resposta não parece simples.
O investimento feito pela Iprev não foi uma operação de qualquer natureza. Envolveu dinheiro previdenciário, recursos garantidos ao futuro de aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió. Também estudamos análise de risco, pareceres, reuniões, comissão de investimentos, consultoria especializada e decisões administrativas que, em tais casos, não deveriam depender da vontade isolada de uma única pessoa.
Por isso, a tentativa de concentrar toda a responsabilidade em Ronnie Mota pode ser vista como uma saída conveniente para alguns setores. Ele estava no cargo, presidência do instituto e certamente tem muito a explicar. Mas uma aplicação milionária dessa natureza dificilmente nasce, caminha e se consolida sem a participação de outros agentes.
A própria Comissão de Assuntos Econômicos do Senado passou a mirar a chamada cadeia de decisões do investimento. Além de Ronnie Mota, também entram no radar outros atores da gestão do IPREV/MACEIÓ, como Renan Calamia , executivo da consultoria Crédito e Mercado, justamente para esclarecer quem recomendou, quem avaliou os riscos e quem autorizou a aplicação dos recursos no Banco Master.
Esse é o ponto mais delicado do caso. Se havia uma consultoria contratada, se havia comissão de investimentos, se havia conselho, se havia secretaria municipal acompanhando a saúde financeira do município e se havia uma política de gestão no comando da Prefeitura, por que apenas o ex-presidente do Iprev deveria carregar sozinho o peso do desastre?
A operação também está cercada por suspeitas. A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal abertura de investigação específica sobre o aporte de R$ 117 milhões do Iprev ao Banco Master, com apuração sobre possíveis irregularidades no processo de autorização de investimento. Segundo informações divulgadas pelo Vero Notícias e repercutidas por outros veículos, há suspeitas decorrentes da própria decisão transferida ao conselho do instituto.
Outro ponto que aumenta a gravidade é a atuação da consultoria Crédito e Mercado. Reportagem do Metrópoles informou que a empresa assessorou o Iprev de Maceió na aplicação de R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master e que a consultoria também está na mira da Polícia Federal por sua atuação em aplicações de institutos de previdência.
Diante desse quadro, Ronnie Mota pode até ser o homem que sabe muito. Talvez saiba o suficiente para explicar como o Banco Master entrou no caminho do dinheiro da previdência municipal. Talvez saiba quem apresentou a operação, quem defendeu a aplicação, quem assinou o parecer, quem participou das reuniões e quem deu a palavra final.
Fonte: @tribunadosertão

