Documentos obtidos pela Polícia Federal e anexados à denúncia do Ministério Público Federal apontam que a antiga Salgema e, posteriormente, a Braskem, tinham conhecimento desde a década de 1980 sobre os riscos de afundamento do solo provocados pela mineração de sal-gema em Maceió.
Segundo a denúncia aceita pela Justiça Federal, estudos técnicos realizados entre 1986 e 1989 já alertavam para falhas na exploração mineral, riscos de subsidência e até a possibilidade de colapso das cavernas subterrâneas. Mesmo com os alertas, a atividade minerária teria sido ampliada ao longo dos anos.
O MPF também acusa a empresa de omitir informações sobre os riscos em documentos enviados a órgãos fiscalizadores. A denúncia sustenta que relatórios apresentados às autoridades classificavam a atividade como segura, apesar dos estudos internos apontarem problemas estruturais no subsolo.
O caso ganhou novo capítulo após a derrubada do sigilo da Operação Lágrimas de Sal. Para o Ministério Público Federal, as provas indicam que recomendações técnicas foram ignoradas por décadas, contribuindo para um desastre que provocou o deslocamento de cerca de 60 mil moradores em Maceió. A Braskem informou que não comentará a denúncia.
Fonte: Portalcadamin

