A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pode trazer impactos para o sistema financeiro brasileiro e abrir espaço para interferências econômicas com reflexos em bancos, investimentos e negócios relacionados ao país.
Em entrevista à coluna Mirelle Pinheiro, o economista Newton Marques afirmou que a maior preocupação está no alcance da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos.
“A inclusão do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos pode permitir que haja interferência em assuntos soberanos do Brasil. Os bancos brasileiros poderiam ser alvos porque o dinheiro movimentado por essas organizações circula por instituições financeiras nacionais. A legislação norte-americana sobre terrorismo é muito abrangente e abre um leque muito grande de possibilidades de atuação”, afirmou.
O economista avalia que a medida também pode ser vista como uma interferência em temas que cabem ao
Brasil.
“Isso abre um espaço muito grande para que os Estados Unidos atuem em questões internas do país. É algo inusitado porque estamos falando de organizações que atuam em territorio brasileiro e que agora passam a ser enquadradas pela legislaçao americana. E possivel ate mesmo colocar forças militares aqui no país”, disse.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28/5) pelo
Departamento de Estado dos EUA. As duas organizações criminosas passarão a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) a partir de 5 de junho. A iniciativa faz parte da política do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao narcotráfico e ao crime organizado internacional.
Fonte: @metropoles

