Veterano Marcos Carnaúba, ex-presidente do IMA e ex-coordenador do DNOCS, afirma que o problema pode ir além do Pinheiro e alerta para risco silencioso na área mais nobre da capital
Uma nova avaliação técnica sobre o cenário geológico de Maceió reacendeu o alerta sobre a estabilidade do solo na capital alagoana. O engenheiro civil Marcos Carnaúba, referência histórica da engenharia no estado, afirmou que os problemas de afundamento do solo podem não estar restritos aos bairros já oficialmente reconhecidos, como Pinheiro, Mutange e adjacências. Segundo ele, há indícios preliminares de subsidência também na Ponta Verde, uma das áreas mais valorizadas e verticalizadas da cidade.
As declarações foram feitas durante entrevista ao podcast Estruturando Soluções, apresentado pelo engenheiro e mestre em engenharia sísmica Paulo Miranda. Aos 83 anos, Carnauba – ex-presidente do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas, ex-coordenador do DNOCS e fundador do grupo técnico Calculistas – decidiu tornar públicas preocupações que, segundo ele, vêm sendo subestimadas no debate técnico e institucional.
Dados internacionais e hipótese de afundamento generalizado
Durante a entrevista, o engenheiro relatou ter tido acesso a um relatório técnico preliminar elaborado por pesquisadores de Potsdam, na Alemanha, cidade que abriga um dos mais reconhecidos centros de pesquisa em geodinâmica e sismologia do mundo. Carnauba fez questão de ressaltar que o material ainda não foi oficialmente publicado, mas afirmou que as conclusões apontam para um fenômeno mais amplo.
“Talvez o mar não esteja subindo. Talvez o continente esteja afundando”, afirmou, ao sustentar que o processo de subsidência pode estar ocorrendo de forma lenta e progressiva em diferentes áreas da cidade, inclusive na orla marítima.
Peso das edificações e extração do subsolo A explicação apresentada pelo engenheiro associa dois fatores principais: a extração de fluidos do subsolo (como água e petróleo) e o peso extraordinário das edificações, especialmente na orla, onde há intensa verticalização.
Fonte: Tribuna do sertão

