É no órgão temporário e indispensável para o desenvolvimento da vida, a placenta, que a ciência parece ter encontrado uma chave inesperada para um desafio antigo: restaurar movimentos de pessoas com lesões na medula espinhal.
A partir de um pequeno fragmento desse órgão, geralmente descartado após o parto, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram que a laminina
— uma molécula pouco glamurosa por ser pouco explorada — pode regenerar neurônios e, assim, se tornar uma aliada na recuperação de funções motoras perdidas.
Para transformar essa descoberta em tratamento, a UFRJ se uniu ao laboratório farmacêutico brasileiro Cristália e criou o medicamento experimental Polaminina. Desde 2018, o fármaco vem sendo testado em um estudo ainda não publicado – ou seja, sem validação em revistas científicas – com seis pacientes que sofreram lesões medulares completas, conhecidas como nível A, situação em que há perda total da função motora e da sensibilidade.
O protocolo de aplicação é direto. O medicamento é administrado na própria medula, dentro de até seis dias após a lesão, com doses minúsculas, de um micrograma por quilo.
O objetivo é restabelecer a comunicação interrompida entre o cérebro e o corpo, que, dependendo da gravidade da lesão, pode resultar em paraplegia – perda dos movimentos das pernas — ou tetraplegia, quando os movimentos do pescoço para baixo são comprometidos.
Um caso, em especial, chamou atenção: o do analista Bruno Drummond, que tinha 23 anos quando sofreu um acidente de trânsito e fraturou a coluna no pescoço, perdendo completamente o controle de braços e pernas.
“No primeiro mês pós medicação, o efeito foi sutil: consegui mexer o dedão do pé. Mas aquilo não me parecia grande coisa. Nessas horas, as expectativas são muito baixas”, contou Drummond em coletiva de imprensa nesta terça-feira, 9, em São Paulo. Hoje, ele caminha normalmente e recuperou quase todo o movimento dos braços, um progresso que aconteceu de forma gradual ao longo de um ano.
Fonte: CBN MACEIÓ

