A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na tentativa de golpe de Estado, apresentou um novo pedido de revisão criminal para tentar anular a condenação e suspender imediatamente o cumprimento da pena. Os advogados pedem a concessão de uma decisão urgente que, na prática, permitiria a liberdade provisória de Bolsonaro.
O recurso foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques, que já é relator de outro pedido de revisão apresentado pela defesa.
A nova estratégia da defesa usa como argumento uma discussão recente do STF sobre as provas digitais do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Os advogados afirmam que houve “quebras na cadeia de custódia das provas digitais”, especialmente nos dados extraídos do celular de Bolsonaro, e sustentam que não tiveram acesso integral ao material. Para reforçar o argumento, citam manifestações feitas no julgamento sobre as mensagens de Vorcaro, em que ministros discutiram os limites da atuação investigativa e a necessidade de acesso às provas antes da análise judicial. A defesa também menciona uma manifestação de Moraes sobre a necessidade de tempo para examinar arquivos de grande volume.
O novo pedido ocorre poucos dias depois de a defesa ter apresentado e retirado uma solicitação semelhante de suspensão da pena. Na ocasião, os advogados pediram a Nunes Marques que interrompesse imediatamente a execução da condenação de 27 anos e três meses, mas desistiram horas depois, em meio a divergências na equipe jurídica. Agora, os advogados voltam ao STF com uma nova revisão criminal e tentam transformar os argumentos discutidos no caso Vorcaro-Moraes em fundamento para questionar a condenação de Bolsonaro pela trama golpista. A nova ação ainda aguarda análise do relator.
Fonte: mídia ninja
