O ex-procurador federal Deltan Dallagnol (Novo) juntou ao seu próprio registro de candidatura ao Senado pelo Paraná dezenas de páginas relativas aos sigilos fiscal e bancário do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), obtidos pela Operação Lava Jato do Rio de Janeiro em 2019 e depois declarados nulos pela Justiça.
Os documentos foram extraídos pelo próprio Dellagnol de um dos processos sigilosos que tramitam contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e que foram incluídos na íntegra pelos advogados dele no sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR) para rebater a tentativa de impugnação da candidatura, sem qualquer pedido para que fossem deixados sob sigilo.
Procurado pela coluna, o gabinete do ministro Zanin disse que não iria comentar. A campanha de Deltan não respondeu.
À época advogado da defesa do então ex-presidente Lula (PT), principal alvo da Lava Jato, Zanin teve seus sigilos quebrados em 2019, por ordem do juiz Marcelo Bretas, sob a acusação de desvio de dinheiro público. O escritório de Zanin era contratado da Fecomércio-RJ, que por sua vez recebia dinheiro de repasses compulsórios do Sesc-RJ e do Senac-RJ (recursos do “Sistema S”).
Também foram quebrados (e agora expostos) os sigilos fiscais de 2014, 2015, 2016 e 2017 de Valeska Teixeira Zanin Martins, esposa e sócia do ministro, de seu sogro e então sócio Roberto
Teixeira, da cunha Larissa Teixeira e do próprio escritório Teixeira, Martins & Advogados.
Zanin recorreu ao STF apontando que Sesc e Senac são entidades privadas, que a 7ª Vara Federal do Rio era incompetente para julgar o caso e que as buscas violaram prerrogativas da advocacia, configurando prática de fishing probatório. A tese convenceu a Segunda Turma do STF, que anulou as decisões de Bretas e os documentos obtidos a partir da operação.
Fonte: @metropoles
