Esse mês, comerciantes de pescado e mariscos da tradicional Balança do Peixe da Pajuçara denunciaram a queda nas vendas e consequentemente no faturamento, após as mudanças realizadas pela Prefeitura de Maceió dentro do projeto de ordenamentos dos espaços públicos da orla marítima da capital. As alterações incluíram o fechamento e a redução da vagas dos estacionamentos da praia, o que dificultou o acesso dos clientes a Balança.
Mas, o problema não acontece apenas na Pajuçara, nossa equipe foi até a Balança de Peixe da praia da Ponta Verde e conversou com os vendedores. Segundo eles, a diminuição e falta de placas nas poucas vagas que restaram dos estacionamentos da orla afetou diretamente a comercialização dos produtos.
A vendedora, Adenaide Alves, afirma que sente os impactos da mudança realizada pela Prefeitura de Maceió. “Teve dias que cheguei a perder 80% das minhas vendas. Muitos dos nossos clientes deixaram de vir pela dificuldade de estacionar”, revela. Adenaide se queixa ainda da burocracia dos órgãos para dar uma solução para problema. “Conversamos várias vezes com o Departamento Municipal de Transportes e Trânsito, a DMTT, mas não deu em nada. Enquanto isso, ficamos no prejuízo”.
Há 36 anos dedicados a venda do pescado, na Pajuçara, a comerciante Ana Maria Andrade confessa que seu prejuízo chegou a 95% dos produtos expostos para comercialização. “Nunca vi nada igual em três décadas de trabalho. “Antes, o volume de vendas era tão grande que, muitas às vezes, chegávamos às 6h e só parávamos quando quase tudo tinha sido vendido. “Ficávamos até sem almoçar para darmos conta de tudo”, lembra Ana Maria.
Também vendedora da balança da Pajuçara, Rita Lima confessa que depois do fechamento das vagas dos estacionamentos ficou até três dias sem vender nenhum peixe. “O povo desiste de vir por não ter onde estacionar e aí passam direto. Isso tem acontecido todos os dias. O pessoal está optando por comprar pescados, crustáceos e mariscos na Balança de Jaraguá porque lá tem conforto. Tem local de sobra para estacionar”, conta.
“Sabe o que é pior? Perdemos nosso pescado. Sem vender nossos produtos de forma fresca somos obrigados a congelar por várias vezes e isso acaba estragando. Além da falta de lucro, o prejuízo é imenso”, lamenta a vendedora.
Alguns pescadores relatam o risco de desistência da atividade diante da falta de movimentação nas balanças de peixe da orla. A categoria cobra da Prefeitura de Maceió a criação urgente de vagas para o estacionamento de veículos como forma de solucionar o problema.
O DMTT, responsável pela regulação dos estacionamentos alega que as vagas de estacionamento implantadas na Pajuçara são rotativas e com tempo de permanência entre 10 e 30 minutos. O que, segundo eles, são suficientes para o comércio de pescado na localidade. Até o fechamento da matéria não houve retorno do DMTT sobre a Balança da Ponta Verde.
Por Redação.
Imagens: Francisco Júnior
