O que começou com uma pergunta simples feita por um aluno acabou se transformando em um projeto pedagógico que mobilizou estudantes, familiares e apoiadores em torno da educação e da inclusão. A iniciativa foi idealizada pelo professor Carlos Washington Santos Nascimento.
Responsável pela turma do 2° ano do Ensino Fundamental na Escola Maria José Carrascosa, no bairro do Poço, em Maceió, Carlos encontrou na Copa do Mundo um caminho para trabalhar aprendizagem, inclusão e pertencimento dentro da sala de aula. “Quando ele me disse que a mãe havia explicado que o álbum era muito caro, pensei em criar um álbum da própria turma”, conta.
A partir da ideia, Carlos desenvolveu um álbum personalizado inspirado no modelo oficial da Copa. Utilizando ferramentas de inteligência artificial, transformou as fotografias dos alunos em figurinhas, permitindo que cada criança se visse representada no projeto.
Quando os álbuns ficaram prontos, o professor organizou um dia especial para a entrega e pediu que os alunos comparecessem usando a camisa da Seleção Brasileira. Pouco tempo depois, alguns estudantes se aproximaram para explicar que não poderiam participar da forma planejada porque não possuíam uma camisa da seleção.
Diante da situação, ele iniciou uma campanha para arrecadar camisas. A primeira tentativa, com doações de peças usadas, não teve o resultado esperado. Em seguida, ele recorreu às redes sociais para divulgar a iniciativa e arrecadar recursos para a compra de novos uniformes.
A mobilização recebeu apoio de amigos, familiares e seguidores, possibilitando que todos os alunos participassem da atividade.
Pessoas de diferentes lugares se sensibilizaram com a proposta e decidiram ajudar. Graças às doações, foi possível garantir que as crianças participassem da atividade de forma igualitária, sem que nenhuma delas fosse excluída por questões financeiras.
Com o avanço da proposta, o álbum deixou de ser apenas uma ação pontual e passou a integrar um projeto pedagógico mais amplo. A Copa do Mundo foi utilizada como tema para atividades de alfabetização, aspectos culturais, desenvolvimento socioemocional e outras práticas em sala de aula.
A sala foi decorada especialmente para o projeto e os alunos também participaram de uma cerimônia simbólica de abertura da Copa, inspirada em eventos realizados por escolas particulares.
Para Carlos, o principal objetivo sempre foi proporcionar experiências significativas às crianças. “Mais do que falar sobre futebol, o projeto busca mostrar que os alunos da escola pública também têm direito de viver momentos especiais, participar e construir memórias afetivas dentro da escola”, afirmou.
A iniciativa demonstra como ações simples podem contribuir para fortalecer o sentimento de pertencimento, estimular a participação dos estudantes e transformar experiências escolares em lembranças marcantes para a infância.
Carlos é formado em Pedagogia pelo CESMAC, especialista em Psicopedagogia pela UNIMA-Afya e aplicador ABA.
Por Redação.
