A manhã desta terça-feira (24) marcou um confronto real de visões de mundo na 3ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA). O julgamento de um pedido de pensão alimentícia em um divórcio de Guanambi debateu a necessidade de mudar um contexto tendencioso do Judiciário de julgar casos envolvendo mulheres com um viés machista e misógino.
A reviravolta no julgamento veio com o desembargador Almir Pereira de Jesus, que abriu divergência com um voto elogiado pela presidente da sessão, desembargadora Rosita Falcão de Almeida Maia, como uma aula de postura moral. Almir Pereira de Jesus leu áudios pesados do processo e destacou que o ex-marido tem boa condição financeira e que pode pagar uma boa pensão alimentícia tanto para os filhos quanto para a ex, até que ela consiga se restabelecer no mercado de trabalho com dignidade.
Mas a resistência foi pesada, sinalizando o machismo do Judiciário em muitos casos. O desembargador José Reginaldo Costa acompanhou o relator e demonstrou preocupação com o que chamou de “ociosidade” da mulher: “Esses alimentos devem ser vistos com muita cautela, para não estimular a ociosidade”. José Reginaldo questionou a imparcialidade do protocolo: “Daríamos o mesmo tratamento se fosse o inverso? O homem não tem perspectiva de gênero nesse ponto. Eu julgo de forma isenta, não estou preocupado com isso”.
Ao ver que a soma das pensões chegaria a seis salários mínimos, ele ironizou a realidade da cidade onde a mulher mora, comparando salário da elite local: “Talvez seja o salário do prefeito de Guanambi. No interior, se a gente procura uma diarista, não acha. Ninguém quer mais trabalhar”,reclamou, falando que pagamentos como esse remetem ao Bolsa Família, que, no seu entendimento, não despertam a vontade nas pessoas em trabalhar.
Fonte: @bnews_oficial
