A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (10), o substitutivo do Projeto de Lei 2162/23, conhecido como PL da Dosimetria. A sessão avançou pela noite até resultar em 291 votos favoráveis, 148 contrários e uma abstenção. A proposta tem relação direta com as sentenças impostas aos envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 quando grupos invadiram e vandalizaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, numa tentativa de reverter o resultado das eleições e pressionar por uma intervenção militar.
O texto aprovado altera o cálculo das penas nessas situações, impedindo que condenações múltiplas sejam somadas e estabelecendo que deve prevalecer apenas a pena mais alta dentre os crimes cometidos. Além disso, prevê reduções significativas para participantes sem papel de liderança ou coordenação, com possibilidade de diminuição de até dois terços da punição. Na prática, o projeto torna o processo de dosimetria mais brando e facilita a progressão para regimes menos rígidos.
No caso de Alagoas, a votação revelou divergências dentro da bancada federal. Quatro deputados apoiaram o projeto: Arthur Lira (PP), Alfredo Gaspar (União Brasil), Marx Beltrão (PP) e Delegado Fábio Costa (PP). Segundo eles, o texto corrige excessos e torna as penas mais equilibradas. Em sentido oposto, Isnaldo Bulhões Jr. (MDB), Paulão (PT) e Rafael Brito (MDB) votaram contra, argumentando que o PL enfraquece o rigor das punições relacionadas aos ataques contra a democracia. Dois parlamentares Daniel Barbosa (PP) e Luciano Amaral (PV) não registraram presença no momento da votação.
A decisão do plenário reacendeu discussões em todo o país, e Alagoas acompanhou a polarização em torno do tema. Para quem é favorável à proposta, o PL representa um ajuste necessário no sistema penal. Já seus críticos afirmam que a medida pode soar como uma suavização indevida das responsabilidades por crimes cometidos em um dos episódios mais graves da história recente. Agora, o projeto segue para análise no Senado, onde deve entrar na pauta ainda este ano, conforme sinalizou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Por Redação
